Comissão Especial aprova relatório que conclui que ex-presidente Juscelino Kubitschek foi morto pela ditadura militar em 1976, não em acidente automobilístico. Documento aponta 37 fraudes na investigação original.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou nesta sexta-feira um relatório que reescreve a história oficial da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Segundo o documento, JK foi vítima de um atentado político durante a ditadura militar, e não de um acidente automobilístico na Via Dutra, como registrado oficialmente há 50 anos.
A votação foi aprovada por seis votos favoráveis e uma abstenção. A relatora do caso, professora Maria Cecília Adão, apresentou evidências que sustentam a hipótese de atentado político, incluindo um encontro com emissários do então presidente Ernesto Geisel que teria motivado JK a viajar de carro em vez de avião.
O relatório identifica 37 fraudes na apuração original da morte do ex-presidente. Entre as irregularidades estão a chegada de militares ao local do acidente cerca de 20 minutos após a ocorrência, o que teria permitido a adulteração de provas. Testemunhas que afirmaram não haver colisão foram ignoradas, e a pista não foi isolada adequadamente.
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A comissão também apontou que a lanterna traseira do veículo de JK estava intacta após a morte dele, mas apresentava avarias quando foi examinado no pátio. As marcas de freagem não eram compatíveis com o ônibus envolvido, e a forma como o carro bateu era incompatível com a versão oficial.
Outro ponto crítico é a alteração do horário da morte. Laudos indicariam que JK morreu às 20h50, cerca de três horas após o acidente, mas os registros oficiais divergem dessa informação. Não foi realizado exame toxicológico para verificar possível envenenamento.
A comissão também destaca que o diário de JK foi retirado do carro após o acidente. Um médico teria feito uma cópia do material e pressionado a família. Além disso, uma notícia publicada três dias antes da morte de JK informava que ele poderia morrer em um acidente na mesma rodovia.
Com a aprovação do relatório, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos informou que trabalhará para que a certidão de óbito do ex-presidente seja retificada, conforme prevê a Resolução 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça.
Destaques do Conhecimento
- Comissão aprova relatório concluindo que JK foi assassinado pela ditadura militar em 1976, não vítima de acidente
- Documento identifica 37 fraudes na investigação original, incluindo manipulação de provas e testemunhas
- Militares chegaram ao local do acidente 20 minutos após a ocorrência e assumiram controle da área
- Comissão trabalhará para retificar a certidão de óbito de JK conforme Resolução 601/2024 do CNJ
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online






































