Operação deflagrada nesta quinta-feira (25/6) prende vereador Senival Moura, apontado como líder oculto de esquema de lavagem de dinheiro do PCC. Investigação revela movimentação de R$ 8,7 milhões e patrimônio incompatível com remuneração oficial.
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram a Operação Última Parada na manhã desta quinta-feira (25/6), resultando na prisão preventiva do vereador Senival Pereira de Moura (PT) e outros quatro alvos. A ação visa desmantelar um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) operacionalizado através de empresas de ônibus na capital paulista.

Segundo a representação policial obtida pela reportagem, Senival é identificado como uma “instância superior de comando” no esquema criminoso. Documentos apreendidos revelam que o vereador era tratado por codinomes como “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador” em comunicações internas. Trocas de mensagens demonstram que repasses financeiros e decisões empresariais dependiam diretamente da anuência do político.
A investigação aponta que Senival era o beneficiário real de pelo menos 13 ônibus registrados em nome de terceiros ou da empresa Transunião. Os CPFs do vereador e de familiares, incluindo esposa e filhos, aparecem vinculados aos ativos. Entre 2019 e 2022, o político movimentou mais de R$ 8,7 milhões, sendo que R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada.
O patrimônio imobiliário de alto padrão acumulado por Senival é considerado incompatível com sua remuneração oficial como vereador. A polícia também apreendeu diversos documentos e dispositivos digitais no escritório do petista relacionados à operação da Transunião.
Um aspecto crítico da investigação envolve o homicídio de Adauto Soares Jorge, ex-presidente formal da Transunião, ocorrido em 2020. Segundo os autos, integrantes do PCC acreditavam que Adauto estava desviando valores em benefício de Senival, o que teria motivado o crime.
Atualmente, Senival ocupa os cargos de 1º Secretário da Mesa Diretora e Presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica na Câmara Municipal de São Paulo. Essa posição lhe confere poder de fiscalização e regulamentação sobre o próprio setor em que a Transunião opera, configurando potencial conflito de interesses.
A investigação também identificou que assessores vinculados ao gabinete de Senival na Câmara Municipal ocupavam simultaneamente cargos estratégicos na administração da Transunião e de outras empresas do grupo, sugerindo instrumentalização para garantir os interesses do vereador.
Destaques do Conhecimento
- Vereador Senival Moura (PT) preso em operação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC em empresas de ônibus
- Investigação aponta movimentação de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, com R$ 2,47 milhões sem origem declarada
- Senival era beneficiário real de pelo menos 13 ônibus e ocupava posição de poder na Câmara Municipal sobre setor de transportes
- Homicídio de ex-presidente da Transunião em 2020 pode estar relacionado ao esquema investigado
Fonte original: Metrópoles São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online | Publicado em 25/06/2026



































