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Retaliação Política: PSOL Perde Comissões na Alerj Após Denunciar Escândalo do Banco Master

Base governista do Rio de Janeiro retira deputados do PSOL de comissões estratégicas em represália às investigações sobre o Banco Master. A manobra afeta diretamente servidores públicos estaduais endividados, um cenário que reflete a realidade de trabalhadores em todo o Brasil.

Parlamentares do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) denunciam uma manobra coordenada da base do ex-governador Cláudio Castro (PL) e da presidência da Casa, comandada por Douglas Ruas (PL), para tirá-los da presidência de comissões legislativas. A medida, anunciada na reunião do Colégio de Líderes nesta terça-feira (9), é classificada pelos deputados como uma ofensiva sistêmica contra o partido.

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Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj, comanda a manobra que retira o PSOL de comissões estratégicas

Na reunião, foi comunicada a perda das presidências da Comissão dos Servidores, da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, que eram comandadas pelos deputados Flavio Serafini, Renata Souza e Dani Monteiro, respectivamente. O deputado Flavio Serafini dará lugar a Renan Jordy (PL), enquanto Dani Monteiro será substituída por Alexandre Knoploch (PL) e Renata Souza por Sarah Poncio (Solidariedade).

A movimentação ocorre justamente na semana em que o deputado Flavio Serafini intensificou denúncias sobre o escândalo envolvendo o Banco Master, o CredCesta e o superendividamento de servidores públicos estaduais. Serafini classificou o caso como perseguição política. “Eles disseram explicitamente que o PSOL vinha fazendo enfrentamentos ao PL e à direita e gerando desgastes. Não é coincidência isso acontecer justamente quando denunciamos o escândalo do Banco Master, defendemos a instalação da CPI e judicializamos medidas para garantir investigação. Estão tentando nos silenciar e nos perseguir”, afirmou.

Nos últimos meses, a Comissão de Servidores produziu relatórios e representações junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), Defensoria Pública e outros órgãos de controle, denunciando o funcionamento do CredCesta, modalidade de consignado ligada ao Banco Master que permitiu comprometimento excessivo da renda dos servidores e cobrança de juros considerados abusivos.

O deputado argumenta que a mudança proposta viola o regimento interno da Alerj, que estabelece que a proporcionalidade das comissões deve ser definida no início do ano legislativo, e não alterada a qualquer momento a partir de critérios políticos. “Querem impedir a CPI e, ao mesmo tempo, retirar das nossas mãos instrumentos de fiscalização. Isso é grave para a democracia e para os servidores públicos do estado”, afirmou.

A deputada Renata Souza classificou a medida como uma tentativa de aparelhamento institucional do Legislativo para fins de retaliação política. Segundo Renata, a manobra se explica pelo “pânico da base aliada diante de investigações propostas pelo PSOL”. “A nossa atuação fiscalizatória tem exposto esquemas que a base governista tenta abafar. O incômodo dessa turma parece se tornou insustentável com os nossos pedidos de CPIs, que podem atingir ainda mais o partido do ex-governador Cláudio Castro e do pré-candidato a Presidência, Flávio Bolsonaro. A resposta da extrema direita, com esse golpe, é autodenunciatória”, disse.

Sobre a perda do espaço de acolhimento e defesa das mulheres, Renata alerta para um cenário de retrocesso iminente: “Essa manobra se dá em circunstâncias muito graves porque foi anunciado que o posto será assumido por alguém do campo bolsonarista, ou seja, do campo que reproduz o patriarcado, que pratica e propaga a misoginia e a subalternização das mulheres, uma cultura que está nas raízes dos graves números em escalada de estupros e feminicídios.”

A deputada Dani Monteiro se manifestou afirmando que “acompanha com preocupação as possíveis mudanças nas presidências das comissões permanentes da Alerj”. A parlamentar presidia a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania há cinco anos, período em que realizou mais de dois mil atendimentos a famílias vítimas de violações de direitos.

Destaques do Conhecimento

  • Base governista retira PSOL de três comissões estratégicas na Alerj em represália política
  • Manobra ocorre após denúncias sobre Banco Master e CredCesta que endividaram servidores públicos
  • Mudança viola regimento interno que estabelece proporcionalidade das comissões no início do ano legislativo
  • Deputados alertam para retrocesso em direitos das mulheres e direitos humanos com novas lideranças bolsonaristas

Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online