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Rede de Rádios Fantasma de Eduardo Cunha: Como Esquema de Comunicação Afeta Política Brasileira

Ex-deputado monta rede de mais de 20 emissoras em Minas Gerais sem aparecer como proprietário formal. Esquema levanta questões sobre financiamento de campanhas e uso de meios de comunicação para influência política — reflexo de práticas que preocupam também eleitores paulistas.

Eduardo Cunha, o político que orquestrou a queda de Dilma Rousseff em 2015 e depois foi condenado por corrupção na Operação Lava Jato, está de volta aos negócios. Desta vez, não em Brasília, mas nas rádios do interior de Minas Gerais. Com patrimônio bloqueado pela Justiça, ele montou uma estrutura de comunicação capilar espalhada por mais de 24 cidades mineiras — a Rede 89 Maravilha — sem que seu nome apareça em nenhum registro oficial de propriedade.

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Estrutura societária revela uso de testas de ferro para ocultar propriedade real das emissoras

A engenharia é sofisticada: boa parte das rádios está registrada em nome de Daniel Cardoso de Sá, genro de Cunha e marido da deputada federal Danielle Cunha. Mas há mais. Em cidades como João Pinheiro, no Noroeste mineiro, Cunha anunciou publicamente a compra de duas emissoras — Terra FM e Tropical FM — e falou delas como suas. Nos registros da Receita Federal, porém, elas continuam inteiramente nas mãos da família Furtado, que as controla desde 2003.

O padrão é claro: Cunha fala como dono, mas não aparece em lugar nenhum. Na declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral, ele informa um patrimônio de apenas R$ 14,1 milhões — dos quais R$ 12,6 milhões estão bloqueados. Nenhuma rádio consta. Nenhuma empresa de comunicação. Nada.

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Proprietário formal das rádios em João Pinheiro tem carreira política própria e trânsito em Brasília

O Impacto para São Paulo e o Trabalhador Paulista

Por que isso importa para quem vive em São Paulo ou na Zona Noroeste? Porque o esquema de Cunha revela como a política brasileira continua operando nas sombras. Enquanto o trabalhador paulista luta com inflação, desemprego e transporte precário, políticos condenados por corrupção encontram brechas para montar impérios de comunicação — ferramentas poderosas para influenciar eleições e opinião pública.

A Polícia Federal apura se Cunha direcionou cerca de R$ 6,1 milhões em emendas parlamentares para os municípios onde comprava rádios, apesar de estar sem mandato desde 2016. É dinheiro público que poderia estar em saúde, educação ou mobilidade urbana em São Paulo, mas que foi desviado para financiar uma pré-campanha encoberta.

Além disso, há um detalhe perturbador: a rede se chama 89 Maravilha e opera quase toda na faixa dos 89 FM. O número de urna de Cunha é 1089. Há mais de um ano, portanto, as emissoras vêm repetindo aos ouvintes de dezenas de cidades mineiras, dia após dia, exatamente os dois dígitos que ele pedirá nas urnas em 2026. É uma pré-campanha que já toca no rádio — antes mesmo de existir oficialmente.

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Patrimônio declarado não inclui as rádios que Cunha afirma possuir publicamente

A Questão do Dinheiro Desaparecido

A pergunta mais incômoda permanece sem resposta: com que dinheiro se compra uma rede de mais de vinte emissoras? Descontado o depósito judicial bloqueado, o que sobra na declaração de Cunha — um carro de 2007, frações de imóveis no Rio, um plano de previdência de menos de R$ 2 mil — está longe de formar o capital necessário para adquirir rádios pelo interior de Minas.

A rede existe, cresce, leva o seu nome e o número de campanha. O dinheiro que a ergueu, esse, não aparece — assim como as emissoras não constam em lugar nenhum entre os seus bens. É um vazio que a Justiça Eleitoral ainda não conseguiu preencher.

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Documentos mostram discrepância entre o que Cunha afirma possuir e o que consta nos registros oficiais

O deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolou representação na Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. A Polícia Federal também apura o caso. Mas enquanto isso, as rádios continuam transmitindo, repetindo o número 89 para quem as ouve, e Cunha segue falando delas como suas — mesmo que, no papel, elas pertençam a outras pessoas.

Destaques do Conhecimento

  • Eduardo Cunha montou uma rede de mais de 20 emissoras de rádio em Minas Gerais sem aparecer como proprietário formal em nenhum registro
  • A maioria das rádios está registrada em nome do genro Daniel Cardoso de Sá, enquanto outras permanecem nas mãos de proprietários anteriores, apesar de Cunha afirmar publicamente que as comprou
  • A Rede 89 Maravilha opera quase toda na faixa dos 89 FM, coincidindo com o número de urna de Cunha (1089), funcionando como pré-campanha encoberta há mais de um ano
  • Cunha declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 14,1 milhões (com R$ 12,6 milhões bloqueados), sem mencionar nenhuma rádio, levantando questões sobre a origem do financiamento da rede
  • A Polícia Federal apura se Cunha direcionou R$ 6,1 milhões em emendas parlamentares para municípios onde comprava ou instalava rádios, apesar de estar sem mandato desde 2016

Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online