Desmatamento na Amazônia cai 36% e atinge o menor patamar desde 2015. A redução reflete políticas de fiscalização mais rigorosas e impacta diretamente na qualidade do ar e no clima que afeta o custo de vida em São Paulo.
Entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Amazônia perdeu apenas 2.874 quilômetros quadrados de mata — a menor área registrada pelo sistema Deter do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) desde que começou o monitoramento em 2015. A queda de 36% em relação aos 12 meses anteriores marca uma virada significativa na trajetória de destruição ambiental que caracterizou os últimos anos.

Para o paulista, especialmente quem vive na Zona Noroeste e em Perus, essa notícia tem peso direto. A Amazônia funciona como o “pulmão” que regula o clima de todo o Brasil. Menos desmatamento significa menos emissão de gases de efeito estufa, o que contribui para reduzir a intensidade de eventos climáticos extremos — como secas, chuvas torrenciais e variações bruscas de temperatura — que afetam o custo de vida, a conta de água e energia, além da saúde respiratória.
O resultado é fruto de uma combinação de ações do governo federal: fiscalização mais atuante, embargo remoto de áreas com derrubada ilegal, restrição de crédito a desmatadores e repasse de recursos para municípios enfrentarem o problema. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, retomou políticas de combate à destruição ambiental que haviam sido desmontadas nos anos anteriores.
No cerrado, a redução foi menor — apenas 8% — totalizando 5.119 quilômetros quadrados perdidos. A diferença ocorre porque a legislação ambiental é mais permissiva no cerrado, permitindo desmatamento de até 80% de propriedades rurais, enquanto na Amazônia o limite é 20%. Além disso, a maioria do cerrado é propriedade privada, dificultando ações de fiscalização.
Outros biomas também registraram quedas significativas. A Mata Atlântica atingiu seu segundo recorde mínimo consecutivo com 402 quilômetros quadrados desmatados em 2025 — redução de 15%. O Pampa teve o menor número da série histórica com 305 quilômetros quadrados perdidos, queda de 42%. Na Caatinga, o índice chegou a 2.289 quilômetros quadrados, representando diminuição de 34%.
O presidente Lula, presente na divulgação dos dados em São José dos Campos, reafirmou o compromisso de atingir desmatamento zero até 2030. “Se a gente continuar no ritmo que a gente está, com a seriedade que a gente está e colocando os recursos necessários, a gente pode atingir essa meta”, declarou.
Especialistas apontam que o resultado comprova que o Brasil aprendeu a reduzir desmatamento de forma consistente. Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, destaca que o dado mostra “descolamento entre desmatamento na Amazônia e produção agropecuária no Brasil”, ou seja, a economia agrícola continua crescendo sem necessidade de expandir áreas desmatadas.
Porém, pesquisadores alertam para ameaças futuras. No Congresso Nacional, há pressões para reduzir unidades de conservação, restringir embargos remotos e flexibilizar legislação ambiental — medidas que poderiam reverter os avanços conquistados.
Destaques do Conhecimento
- Desmatamento na Amazônia caiu 36% entre agosto de 2025 e julho de 2026, atingindo o menor patamar desde 2015
- Redução de emissões de gases de efeito estufa impacta diretamente no clima de São Paulo e no custo de vida dos paulistas
- Políticas de fiscalização, embargo remoto e restrição de crédito a desmatadores foram fundamentais para o resultado
- Meta do governo é atingir desmatamento zero até 2030
- Ameaças futuras vêm de pressões no Congresso para flexibilizar legislação ambiental
Fonte original: Folha de S.Paulo/UOL | Adaptação: Equipe Perus Online




























