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Pix em Disputa: EUA Quer Controlar o Trilho do Dinheiro Digital no Brasil

Pix vira alvo de guerra comercial dos EUA, que quer manter controle sobre sistemas de pagamento globais. Decisão de Trump impõe tarifas de 25% e coloca em risco a soberania digital brasileira.

O sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central do Brasil está no centro de uma disputa internacional que vai muito além de transações financeiras. Os Estados Unidos, sob o governo Trump, incluíram o Pix em investigação comercial que resultou em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O motivo? Controle geopolítico sobre quem manda nos trilhos do dinheiro no mundo.

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Donald Trump, presidente dos EUA, impõe tarifas contra o Brasil em resposta ao Pix | Foto: Mandel Ngan/AFP

A questão não é simples. Enquanto bandeiras de cartão americanas como Visa e Mastercard temem perder receita com a expansão do Pix, o governo Trump vê uma ameaça maior: a possibilidade de países criarem suas próprias redes de pagamento reduz o poder dos EUA de aplicar sanções e controlar transações globalmente. Quando os americanos querem punir alguém, bloqueiam o acesso aos sistemas bancários que controlam. Com o Pix e infraestruturas similares em outros países, esse poder diminui.

Para quem vive em São Paulo e na Zona Noroeste, a implicação é direta no bolso. O Pix revolucionou a forma como paulistas fazem transações. Com mais de 170 milhões de usuários cadastrados no Brasil (cerca de 80% da população), o sistema processou 7,7 bilhões de transações em junho de 2026. Bancarizou milhões de pessoas que nunca tinham usado cartão. E agora está sob pressão internacional.

“É geopolítica pura”, afirma Fernanda Garibaldi, diretora-executiva da Zetta, associação que reúne bancos digitais e fintechs. “Quem controla os trilhos do dinheiro controla mais que o sistema bancário.” A advogada cita o exemplo da Suécia, que voltou a introduzir cédulas em espécie após a guerra da Ucrânia para evitar dependência de sistemas estrangeiros.

O Banco Central do Brasil já firmou acordos de cooperação técnica com mais de 47 bancos centrais para exportar a tecnologia do Pix. Isso significa que o Brasil está criando uma alternativa real ao domínio americano sobre pagamentos globais. Exatamente o que Trump quer evitar.

Integrantes do governo Lula não escondem nos bastidores o incômodo com as bandeiras americanas. A visão é que elas estão por trás da pressão de Trump. Enquanto isso, o BC enfrenta falta de recursos para gerir o Pix e outros sistemas. O orçamento para custeio e investimento chegou ao nível mais baixo em 2024 e continua sofrendo cortes.

A Mastercard diz que o Pix é uma inovação importante e que continua comprometida em investir no Brasil. A Visa informa que acompanha a investigação e dialoga com autoridades nos dois países. Mas a realidade é que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos se tornou um símbolo de soberania digital em um mundo cada vez mais polarizado.

Destaques do Conhecimento

  • O Pix foi incluído em investigação comercial dos EUA que resultou em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros
  • Mais de 170 milhões de brasileiros usam o Pix, que processou 7,7 bilhões de transações em junho de 2026
  • O Banco Central já firmou acordos com 47 bancos centrais para exportar a tecnologia do Pix para outros países
  • A disputa envolve soberania digital e geopolítica, não apenas intermediários financeiros
  • O BC enfrenta falta de recursos para gerir o Pix, com orçamento em nível mais baixo desde 2024

Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online