Operação da Polícia Federal aponta que ex-governador Cláudio Castro facilitou transferências bilionárias de fundo de previdência do Rio para o Banco Master. Investigação revela encontros privados custeados pelo banqueiro Daniel Vorcaro e sincronismo com aportes suspeitos.
A Polícia Federal deflagrou operação nesta terça-feira (26) contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), apontando que ele mantinha “vínculo próximo” com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que viabilizou transferências de R$ 3 bilhões do Rioprevidência (fundo de previdência dos servidores públicos fluminenses) para a instituição financeira.
Segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Castro “exerceu papel politicamente relevante” para liberar os aportes. A investigação identificou encontros frequentes entre os dois em ambientes privados e no exterior, todos custeados pelo banqueiro, com coincidência temporal exata com as transferências bilionárias.

A operação desta terça envolve aplicações de R$ 2,01 bilhões a partir de julho de 2024 em fundos de investimento do Master, somando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência. Trata-se de um desdobramento da Operação Barco de Papel, de janeiro, que já havia identificado aportes suspeitos de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024.
A Polícia Federal encontrou evidências em celular apreendido de Vorcaro indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de “alinhamento político” com o ex-chefe do Executivo estadual. Mendonça destacou ainda a alteração da composição da gestão do Rioprevidência em período imediatamente anterior ao início da série de investimentos.
Além de Castro, Ricardo Siqueira Rodrigues é um dos principais alvos da operação. Ele é apontado como “articulador, captador e lobista” com papel ativo na aproximação entre Vorcaro e autoridades públicas. Rodrigues foi delator em desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.
O Rioprevidência é uma autarquia estadual responsável por gerir o Regime Próprio de Previdência Social dos servidores públicos fluminenses, centralizando a arrecadação de contribuições previdenciárias e administrando o pagamento de aposentadorias e pensões.
Esta é a segunda operação no mês em que Castro é alvo. No dia 15 de maio, o ex-governador foi investigado por suspeitas relacionadas à refinaria Refit, envolvendo o empresário Ricardo Magro. As investigações acusam Castro de usar a máquina do estado para facilitar crimes atribuídos ao empresário.
Destaques do Conhecimento
- Cláudio Castro mantinha “vínculo próximo” com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo investigação da PF
- Transferências suspeitas somam R$ 3 bilhões do Rioprevidência para o Banco Master entre 2023 e 2024
- Encontros privados entre Castro e Vorcaro no exterior eram custeados pelo banqueiro e coincidiam com aportes bilionários
- Ricardo Siqueira Rodrigues, ex-delator da Lava Jato, é apontado como articulador entre Vorcaro e autoridades públicas
- Esta é a segunda operação contra Castro em maio; primeira foi relacionada à refinaria Refit
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































