Operação do Ministério Público prende três suspeitos de serem infiltrados do PCC em instituições públicas. Ex-estagiário, policial civil e chefe de investigadores são acusados de vazar informações sigilosas e extorquir criminosos.
Uma ação coordenada do Ministério Público de São Paulo deflagrada nesta terça-feira (9) resultou na prisão de três agentes públicos suspeitos de atuar como infiltrados da facção criminosa PCC. Entre os presos estão um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio MP que hoje trabalha como advogado.
As investigações indicam que o grupo teria vazado informações privilegiadas para integrantes da organização criminosa e participado de um plano para assassinar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). Além disso, são suspeitos de operar um esquema de extorsão contra investigados, incluindo membros da própria facção.
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O ex-estagiário, que trabalhou em uma promotoria criminal de Campinas, é acusado de usar bancos de dados do MP para identificar criminosos de alto poder econômico e extorquir dinheiro deles em troca de suposta proteção nas investigações. Utilizando sistemas internos da instituição, teria conseguido localizar “potenciais alvos” de extorsão.
Em um celular apreendido com um empresário suspeito de participar do plano para matar o promotor, foi encontrada uma cobrança de R$ 500 mil para que informações não fossem enviadas ao Gaeco. A pessoa se identificava como sendo de Balneário Camboriú (SC), mas as investigações revelaram tratar-se do advogado que trabalhava na Promotoria Criminal.
O chefe de investigadores preso atuava na Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas e é suspeito de passar informações privilegiadas a criminosos em troca de dinheiro. Uma semana antes da deflagração da Operação Pronta Resposta, um dos principais acusados de planejar o atentado contra o promotor se reuniu com este investigador. Vídeos apreendidos comprovam o encontro.
A operação desta terça é um desdobramento de duas ações anteriores: a Operação Pronta Resposta (agosto de 2025), que investigou um plano do PCC para assassinar o promotor Amauri Silveira Filho, e a Operação Off White (outubro de 2025), que desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do Brasil, incluindo Sérgio Luiz de Freitas, conhecido como “Mijão” ou “Xixi”, um dos principais chefes em liberdade do PCC.
Além dos três mandados de prisão temporária, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior de São Paulo. A operação contou com a participação das Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, além da Comissão de Prerrogativas da OAB, especialmente para as buscas em escritório de advocacia.
O Ministério Público afirmou em nota que “todos os fatos estão sob apuração no Gaeco e o apoio das Polícias Militar, Civil e Penal demonstra que as instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros, garantindo que a sociedade sempre tenha à disposição um serviço público eficiente, contínuo e transparente”.
Destaques do Conhecimento
- Três agentes públicos foram presos por suspeita de atuar como infiltrados do PCC em instituições de segurança e justiça
- O grupo é acusado de vazar informações sigilosas, participar de plano para matar promotor e operar esquema de extorsão
- Ex-estagiário do MP usava bancos de dados da instituição para identificar criminosos e extorquir dinheiro em troca de proteção
- Operação é desdobramento de investigações sobre plano do PCC para assassinar promotor do Gaeco
- Foram cumpridos 13 mandados (3 de prisão e 10 de busca e apreensão) em Campinas e Cardoso
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online

































