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Investigação revela R$ 16,5 milhões em documentos irregulares em contrato de wi-fi da Prefeitura de SP

Investigação revela R$ 16,5 milhões em documentos irregulares em contrato de wi-fi da Prefeitura de SP. ONG ligada à produtora de filme sobre Bolsonaro apresenta notas canceladas e recibos sem valor fiscal.

A Prefeitura de São Paulo enfrenta novo escândalo administrativo. Uma organização social contratada para instalar pontos de wi-fi gratuito na periferia apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em documentação irregular para justificar despesas. A entidade, Instituto Conhecer Brasil, é gerida por Karina Ferreira da Gama, mesma proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O levantamento realizado pela reportagem nas prestações de contas da ONG aponta o uso sistemático de notas fiscais canceladas no sistema municipal, faturas sem valor fiscal e até recibos emitidos pela própria entidade para ela mesma. O contrato, firmado em junho de 2024, prevê a instalação de 5 mil pontos de wi-fi na periferia, mas apenas 3.200 foram implementados até agora.

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Faturas da Make One Tecnologia Digital Ltda. sem recolhimento de impostos, utilizadas para justificar despesas de R$ 8,5 milhões

Em 2024, a ONG contratou a empresa Make One Tecnologia Digital para locação de equipamentos eletrônicos. Em vez de notas fiscais regulares, apresentou quatro faturas para justificar despesas de R$ 8,5 milhões. Essas faturas, porém, não possuem valor fiscal porque não há recolhimento de imposto. Chamam atenção os números sequenciais e o fato de pelo menos três terem sido emitidas no mesmo dia, com a mesma data de vencimento, mas com valores diferentes.

Outro caso envolve a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., também contratada pela ONG. O proprietário é o empresário André Feldman, que aparece em fotografias nas redes sociais ao lado de Karina da Gama. Em novembro de 2025, a Complexsys emitiu uma nota fiscal de R$ 2 milhões no sistema da Prefeitura por supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos. Porém, a mesma nota aparece como cancelada no sistema oficial da administração municipal, no mesmo dia em que foi emitida.

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Documentos cancelados no sistema municipal mas incluídos na prestação de contas da entidade

A empresa de André Feldman também aparece como prestadora de serviços do gabinete do deputado federal Mário Frias (PL), produtor-executivo do filme “Dark Horse” sobre Bolsonaro. Outros três exemplos de notas canceladas envolvem a empresa cearense JR Feijão Ltda., contratada sob justificativa de aluguel de equipamentos. Ao todo, foram mais de R$ 406 mil em três notas apresentadas como comprovação de despesas de 2024.

Um parecer da Secretaria Municipal de Tecnologia, datado de 26 de fevereiro de 2026, aponta que o instituto não poderia emitir notas para si mesmo e tampouco devolveu os valores irregulares apontados nas prestações de contas. O documento identifica pelo menos R$ 925 mil em pagamentos em duplicidade declarados pela ONG.

Apesar das inconformidades, os diretores da secretaria optaram por “aprovar a prestação de contas da entidade com ressalvas”, condicionada à restituição integral dos valores glosados no montante de R$ 930.256,87. A gestão Ricardo Nunes afirmou que a empresa devolveu integralmente os R$ 930 mil e que, por isso, teve o contrato renovado para a instalação dos demais 1.800 pontos de wi-fi que ainda faltam.

O Ministério Público de São Paulo investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. A investigação apura suposto direcionamento do chamamento público, ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com a organização social, celebração de três aditamentos contratuais em sequência com intervalos de poucos dias, e repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste referentes a serviços ainda não implantados.

Destaques do Conhecimento

  • ONG ligada à produtora do filme sobre Bolsonaro apresentou R$ 16,5 milhões em documentos irregulares em contrato de wi-fi com a Prefeitura de SP
  • Prestação de contas inclui notas fiscais canceladas, faturas sem valor fiscal e documentos emitidos pela própria ONG para ela mesma
  • Apenas 3.200 dos 5 mil pontos de wi-fi previstos foram instalados; contrato sofreu três aditivos mudando data de entrega
  • Ministério Público investiga possível direcionamento do chamamento público e irregularidades estruturais na execução do contrato
  • Empresa contratada para instalar wi-fi em favelas tinha como proprietário empresário preso por suspeita de feminicídio

Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online