Partido de extrema direita alemão (AfD) lidera eleição estadual com 44% dos votos. Resultado histórico marca possível retorno de força fascista ao poder na Alemanha desde o fim da Segunda Guerra.
A Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou a maior bancada no Parlamento estadual de Saxônia-Anhalt, no leste do país, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (6). O resultado representa um marco político preocupante: seria a primeira vez desde 1945 que um partido de extrema direita chega tão perto do poder executivo alemão.
O candidato Ulrich Siegmund, líder da AfD no estado, pode se tornar ministro-presidente (equivalente a governador) se conseguir apoio de outras legendas. Sua campanha surfou em sentimentos populistas, especialmente entre eleitores desiludidos com o governo central de Friedrich Merz (CDU).

A AfD, fundada em 2013 como reação à crise do euro, cresceu exponencialmente surfando em temas anti-imigração após a crise migratória de 2015. Hoje é classificada como “comprovadamente extremista” pelos serviços de inteligência alemães, com integrantes investigados por discurso de ódio e ligações com grupos neonazistas.
Se chegar ao poder, o partido promete medidas radicais: deportação em massa de imigrantes, saída da União Europeia, reaproximação com a Rússia e forte intervenção na educação e cultura. Essas propostas violam princípios democráticos, razão pela qual todos os outros partidos alemães mantêm o “firewall” — recusa de cooperar com a AfD.
Porém, quanto mais forte a AfD fica, mais buracos aparecem nessa estratégia. Em janeiro de 2025, o presidente da CDU já havia quebrado o tabu ao aprovar uma moção no Parlamento com apoio dos extremistas.
A participação eleitoral foi alta: 78% dos eleitores compareceram às urnas. Segundo observadores, a mobilização reflete o esforço da AfD em conquistar indecisos e desiludidos com a CDU, que até 2021 era a principal força no estado.
O resultado é amargo para Merz. Analistas apontam que a votação expressiva da AfD reflete a debilidade do governo central. “É um sinal para Berlim”, afirmou Lars Klingbeil, líder do SPD e vice-premiê.
Internacionalmente, a ascensão da AfD preocupa. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, expressou simpatia pelo partido e se encontrou com a candidata Alice Weidel. Elon Musk fez campanha aberta a favor da legenda, levando Merz a afirmar que o bilionário deve sofrer consequências pela interferência política.
Destaques do Conhecimento
- AfD alcançou 44% dos votos em Saxônia-Anhalt, maior resultado desde sua fundação em 2013
- Seria a primeira vez desde 1945 que um partido de extrema direita chega tão perto do poder executivo na Alemanha
- Partido promete deportação em massa, saída da UE e reaproximação com Rússia se chegar ao poder
- Todos os outros partidos alemães mantêm “firewall” contra a AfD, recusando cooperação política
- Participação eleitoral foi de 78%, refletindo mobilização em torno do pleito
- Resultado é visto como sinal de debilidade do governo central de Friedrich Merz
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































