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Entendendo Masculinidades Tóxicas e Violência de Gênero

Resumo Executivo: Violência de Gênero e Masculinidade

A violência de gênero não é uma sequência de tragédias isoladas, mas sim um reflexo de uma estrutura social baseada na dominação masculina e na manutenção de hierarquias de poder. A chamada masculinidade tóxica, construída socialmente desde a infância, está intrinsecamente ligada à reprodução dessa violência.


1. O que é Masculinidade Tóxica?

A masculinidade tóxica descreve um conjunto de normas sociais que definem como homens devem agir para serem reconhecidos como “masculinos”. Essas normas incluem:

  • Negação da vulnerabilidade

  • Valorização da força

  • Repressão de emoções

  • Resolução de conflitos pela força

Esses padrões começam na infância, quando meninos são incentivados a competir e esconder sentimentos. Isso cria um modelo que valoriza o controle e a agressividade como forma de afirmação social. Quando um homem aprende que expressar emoções é sinal de fraqueza, ele desenvolve menos recursos para lidar com frustrações, gerando isolamento e dificuldades em construir relações saudáveis.


2. A Construção Social da Masculinidade

Família e Socialização

A família é o primeiro espaço de aprendizado desses papéis. Meninos recebem estímulos ligados à resistência emocional, enquanto a sensibilidade é desencorajada.

Escola e Cultura

A escola muitas vezes reproduz esses modelos através do bullying. Segundo o IBGE, cerca de 23% dos estudantes brasileiros já sofreram bullying, fenômeno frequentemente ligado à construção de identidades baseadas na agressividade.

Mídia e Redes Sociais

Filmes, séries e publicidade reforçam representações de controle e poder. As redes sociais ampliam esse processo através de dinâmicas de validação social e competitividade constante.

Patriarcado e Estruturas de Poder

O patriarcado organiza as relações a partir da superioridade masculina. Nesse modelo, a violência de gênero funciona como um mecanismo de punição social contra mulheres que desafiam essas hierarquias.


3. Violência de Gênero no Brasil: Dados Atuais

Números Alarmantes

  • 1.492 feminicídios em 2024: Equivalente a cerca de 4 mulheres mortas por dia.

  • 53 feminicídios em São Paulo (2025): O maior número da série histórica.

  • 67% dos casos: Ocorrem dentro de casa, cometidos por parceiros ou familiares.

O Problema da Invisibilidade

Um dado preocupante revela que 4 em cada 10 brasileiras não identificam as agressões sofridas como violência. Isso ocorre porque formas de violência psicológica, moral, sexual e patrimonial são frequentemente normalizadas pela sociedade.

O Ciclo da Violência

O feminicídio é, geralmente, o desfecho de um ciclo prolongado que inclui:

  1. Controle emocional e isolamento social.

  2. Ameaças e agressões psicológicas.

  3. Violência física progressiva.


4. Violência Política de Gênero

Entre 2022 e 2024, o Brasil registrou 299 episódios de violência política:

  • 46% dos ataques foram direcionados a mulheres.

  • 15 ameaças de violência sexual contra parlamentares foram registradas. Essa prática visa limitar a participação feminina nos espaços de decisão.


5. Políticas Públicas e Redes de Proteção

O Sistema Único de Saúde (SUS) é peça-chave no enfrentamento. Na atenção primária, é possível:

  • Identificar sinais precoces de abuso.

  • Oferecer escuta qualificada e orientação sobre direitos.

  • Realizar encaminhamentos para a rede de assistência social e policial.

Desafios atuais: Falta de recursos, necessidade de formação contínua para profissionais e o combate à subnotificação.


6. Caminhos para o Enfrentamento

Educação e Cultura

  • Projetos escolares sobre gênero, respeito e diversidade.

  • Debate sobre igualdade e educação sexual.

  • Construção de novas masculinidades que permitam a vulnerabilidade.

Gestão Pública

  • Agilidade no cumprimento de medidas protetivas.

  • Integração entre Polícia, Justiça e Assistência Social.

  • Fortalecimento do Pacto Nacional — Brasil contra o Feminicídio.


7. Como Denunciar?

  • 190: Emergências policiais.

  • 180: Central de Atendimento à Mulher (orientação e denúncia).

  • Delegacias Especializadas: Atendimento focado na mulher.

  • Casa da Mulher Brasileira: Apoio jurídico, psicológico e social integrado.


Conclusão

A violência de gênero é um problema estrutural. Enfrentá-la exige ir além da punição individual; é necessário transformar a forma como a sociedade distribui o poder e educa seus cidadãos. A mudança real passa pela cultura, pela educação e pelo reconhecimento de que este é um problema público, não privado.

Fonte: ICL Notícias – Publicado em 19/03/2026