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El Niño traz risco de enchentes, queimadas e falta de água para São Paulo e região

Fenômeno climático pode trazer caos para a capital paulista com chuvas torrenciais, incêndios florestais e redução no abastecimento de água. Prefeitura e governo estadual anunciam planos de prevenção.

São Paulo enfrenta um cenário climático complexo com a chegada do El Niño. O fenômeno, que aquece as águas do Pacífico, altera os padrões de chuva e temperatura em todo o Brasil. Para a capital paulista e região metropolitana, isso significa uma combinação perigosa: temporais intensos, ondas de calor, queimadas e possível escassez de água.

A posição geográfica de São Paulo em uma zona de transição climática torna a situação ainda mais delicada. Enquanto o Sul do país sofre com chuvas excessivas e o Norte com secas prolongadas, a metrópole pode experimentar os dois cenários simultaneamente.

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Ar poluído na região central de São Paulo durante onda de calor em setembro de 2024, quando o El Niño estava em ação. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

Chuvas concentradas e alagamentos

O padrão de precipitação muda significativamente com o El Niño. Em vez de chuvas leves e distribuídas ao longo de dias, o fenômeno provoca pancadas torrenciais concentradas em pontos específicos da cidade. Isso aumenta drasticamente o risco de alagamentos e transbordamentos em áreas densamente ocupadas, como Perus, Anhanguera e Jaraguá.

Nos últimos dias de junho, São Paulo já registrou quase 100 milímetros de chuva em apenas 24 horas – mais da metade do esperado para todo o mês. Este é apenas um sinal do que está por vir quando o fenômeno atingir seu pico, a partir de setembro.

Calor extremo e queimadas

Antes da temporada de chuvas intensas, moradores enfrentarão dias de calor extremo, baixa umidade do ar e qualidade do ar comprometida pela fumaça de incêndios florestais. Em 2024, queimadas no interior paulista afetaram toda a região metropolitana, deixando o ar irrespirável.

Gestantes, crianças e idosos são os grupos mais vulneráveis à poluição extrema. A fumaça das queimadas contém partículas tão pequenas que atravessam a barreira respiratória e atingem a corrente sanguínea, aumentando casos de infarto e acidentes vasculares cerebrais, especialmente entre idosos.

Risco de falta de água

O cenário mais preocupante é a possível redução no abastecimento de água. O El Niño pode atrasar o início da estação chuvosa, que normalmente começa em outubro. Combinado com o calor intenso, isso reduz drasticamente os níveis dos reservatórios que abastecem a Grande São Paulo.

O sistema Cantareira, o mais importante conjunto de represas da região, agora terá um novo gatilho de controle. Se seu nível ficar proporcionalmente abaixo dos demais, a redução de pressão do bombeamento noturno durará mais horas – atualmente são dez horas. Isso pode impactar diretamente o abastecimento em bairros como Perus e Anhanguera.

Planos de prevenção em andamento

A Prefeitura de São Paulo designou 13 áreas para apresentar estratégias de prevenção até agosto. A limpeza de cursos d'água e poda de árvores são consideradas primordiais para mitigar riscos de inundações e acidentes. O governo estadual investiu R$ 25 bilhões em seu plano de resiliência hídrica, incluindo construção de piscinões e desassoreamento de rios como o Tietê.

O Governo do Estado também anunciou o uso de inteligência artificial para analisar dados meteorológicos e câmeras em rodovias para localizar focos de incêndio em áreas de floresta.

Destaques do Conhecimento

  • El Niño aquece as águas do Pacífico e altera padrões de chuva e temperatura em todo o Brasil
  • São Paulo pode sofrer simultaneamente com chuvas torrenciais e períodos de seca prolongada
  • Pancadas concentradas de chuva aumentam risco de alagamentos em áreas urbanas densas
  • Queimadas florestais comprometem qualidade do ar e afetam saúde de idosos, gestantes e crianças
  • Redução nos níveis de reservatórios pode impactar abastecimento de água na região metropolitana
  • Período crítico é esperado para final da primavera, quando ondas de calor se combinam com temporais
  • Prefeitura e governo estadual apresentarão planos de prevenção até agosto, antes do pico do fenômeno em setembro

Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online