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Caos em Audiência Pública: Moradores de Perus Denunciam Figurantes Pagos em Debate sobre Incinerador

Caos em Audiência Pública: Moradores de Perus Denunciam Figurantes Pagos em Debate sobre Incinerador

Uma sessão de discussão ambiental realizada na terça-feira (31) no Centro Educacional Unificado (CEU) Perus transformou-se em cenário de tumulto, interrupções constantes e acusações graves. Moradores da Zona Norte de São Paulo denunciaram que participantes contratados foram levados de ônibus para tumultuar o debate sobre a instalação de uma Unidade de Recuperação Energética (URE) Bandeirantes na região.

O encontro integra o processo de licenciamento ambiental do empreendimento que a Prefeitura de São Paulo pretende instalar no local onde funcionou o antigo Aterro Bandeirantes, desativado há quase duas décadas. A comunidade local carrega cicatrizes do passado e teme novamente sofrer com poluição atmosférica, riscos à saúde pública e possíveis explosões, considerando que o solo ainda emite biogás residual.

Destaques do Conhecimento

  • Moradores apresentaram mensagens de WhatsApp indicando transporte de participantes da Barra Funda com pagamento de R$ 170 mais alimentação
  • Lideranças indígenas Guarani-Mbyá foram impedidas de entrar, com apenas três representantes autorizados após negociação
  • A Cetesb ainda analisa o Estudo de Impacto Ambiental; nenhuma licença foi concedida até o momento
  • Previsão de conclusão da unidade é 2028, com capacidade de processar mil toneladas de resíduos diários
  • Projeto reduz volume de lixo em até 80% e diminui dependência de aterros saturados

Evidências documentadas mostram orientações para que os participantes aplaudissem, vaiassem e se manifestassem conforme instruções locais. As mensagens também mencionavam recomendações sobre vestimenta e exigência de comprometimento energético dos envolvidos. O auditório lotou completamente, deixando parte do público do lado de fora, contida por agentes da Guarda Civil Metropolitana.

A resistência comunitária em Perus centra-se em preocupações legítimas: impacto ambiental em áreas sensíveis como o Parque Anhanguera e a Terra Indígena do Jaraguá, além do possível encerramento de cooperativas de catadores e recicladores que sustentam famílias na região. Representantes indígenas enfatizaram a importância de proteger o remanescente de Mata Atlântica local.

A gestão Ricardo Nunes e a Logística Ambiental de São Paulo (Loga) apresentam a URE como solução moderna para gestão de resíduos, incluindo triagem inteligente, biossecagem, biodigestão e compostagem. Segundo a administração municipal, o projeto modernizaria significativamente a infraestrutura de tratamento de lixo da capital paulista.

O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) conduziu a audiência como etapa obrigatória do licenciamento. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) continua avaliando a documentação técnica apresentada, sem previsão de decisão imediata.


Conteúdo adaptado e reescrito para Perus Online | Fonte original: G1 São Paulo