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Acordo UE-Mercosul Começa Hoje: Ganhos Bilionários para Exportadores de São Paulo e Perus

O acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul entra em vigor nesta sexta-feira (1º de maio de 2026), marcando o início de uma transformação comercial que promete beneficiar principalmente o agronegócio exportador e a indústria competitiva brasileira. Com mais de 80% das exportações brasileiras para o bloco europeu passando a ter tarifa zerada, a abertura comercial representa uma oportunidade histórica para empresas de São Paulo e região, especialmente aquelas ligadas ao setor de máquinas, equipamentos e produtos industrializados.

Mais de 5 mil produtos brasileiros entram no mercado europeu sem imposto já nesta etapa inicial, ampliando significativamente o acesso das empresas nacionais. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 93% dos 2.932 produtos brasileiros com tarifa zerada são bens industriais, incluindo máquinas, equipamentos, metalurgia, materiais elétricos e produtos químicos. No setor de máquinas e equipamentos, quase 96% das exportações brasileiras para a Europa passam a entrar sem tarifa, reduzindo custos e aumentando a competitividade frente a concorrentes internacionais.

O impacto econômico geral é estimado entre 0,3% e 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB) até 2040, com efeitos mais concentrados sobre atividades ligadas ao comércio exterior. O Centro-Oeste, onde se concentram grãos e proteína animal, e parte do Sul, com forte presença de agroindústria exportadora, devem ser as regiões mais beneficiadas no curto prazo. Carnes de aves e suína, óleos vegetais, açúcar, etanol industrial e café não torrado estão entre os produtos com maior potencial de aumento nas vendas para a União Europeia.

Além dos exportadores diretos, a indústria brasileira que utiliza insumos, máquinas e componentes europeus também pode se beneficiar do acordo. Tarifas que chegam a 35% encarecem equipamentos, peças e produtos químicos importados da União Europeia. Com a eliminação progressiva dessas tarifas, empresas podem reduzir custos de produção, ganhar eficiência e melhorar sua competitividade, inclusive no mercado interno. Setores como química, farmacêutica, autopeças e máquinas e equipamentos têm potencial de ganho significativo.

Porém, nem todos os setores saem ganhando com o acordo. A indústria menos competitiva, especialmente aquela voltada ao mercado interno com menor capacidade de inovação, enfrenta pressão crescente. Mesmo com prazos longos para redução de tarifas — que em alguns casos chegam a 15 ou 18 anos — a expectativa é de intensificação gradual da concorrência com produtos europeus de maior valor agregado. O risco não é um fechamento abrupto de fábricas, mas uma perda progressiva de participação de mercado, especialmente no Sudeste, principal polo industrial do país.

A agricultura familiar e pequenos produtores também veem o acordo com cautela. Embora o tratado proteja indicações geográficas brasileiras, produtores apontam que a concorrência com produtos europeus — muitas vezes subsidiados e produzidos em grande escala — pode dificultar a permanência no mercado doméstico. Para esses segmentos, adaptação rápida, acesso a crédito, certificações e políticas públicas de apoio serão fundamentais para competir neste novo cenário comercial.

Destaques da Matéria

  • Mais de 80% das exportações brasileiras para a UE passam a ter tarifa zerada a partir de hoje
  • Mais de 5 mil produtos brasileiros entram no mercado europeu sem imposto na etapa inicial
  • Agronegócio exportador e indústria competitiva são os principais beneficiados pelo acordo
  • Impacto estimado de 0,3% a 0,5% no PIB até 2040, com efeitos concentrados no comércio exterior
  • Indústria menos competitiva e pequenos produtores enfrentam pressão crescente da concorrência europeia
  • Centro-Oeste e Sul devem ser as regiões mais beneficiadas no curto prazo com aumento de exportações

Conteúdo original: G1 – Globo.com | Adaptação: Perus Online

Caption: Acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul entra em vigor nesta sexta-feira, abrindo oportunidades bilionárias para exportadores brasileiros, especialmente do setor industrial e agronegócio.