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Chefe do PCC foragido há 6 anos é denunciado por lavagem de dinheiro em mansão de luxo no RJ

Traficante André do Rap, que desapareceu após decisão polêmica do STF em 2020, usou laranja para comprar imóvel de R$ 3,3 milhões em Angra dos Reis. Caso reacende debate sobre segurança pública e operações contra o crime organizado que afeta a Capital Paulista.

O traficante André de Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap, 48 anos, foi denunciado pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro. A acusação envolve a compra de um terreno e construção de uma mansão de luxo em Angra dos Reis (RJ), totalizando R$ 3,3 milhões em investimentos ilícitos.

André do Rap é membro do PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa que opera intensamente na Zona Noroeste de São Paulo, incluindo Perus, Jaraguá e Anhanguera. Sua captura e posterior fuga reacendem preocupações sobre a atuação de líderes do crime organizado que afetam diretamente a segurança nas periferias paulistanas.

andre-do-rap-em-selfie-feita-em-angra-dos-reis-1696519221625_v2_450x450 Chefe do PCC foragido há 6 anos é denunciado por lavagem de dinheiro em mansão de luxo no RJ
André do Rap em selfie feita em Angra dos Reis, onde foi preso em setembro de 2019. Imagem: Reprodução/Polícia Civil

O caso ganhou destaque recente quando o ministro Flávio Dino citou o traficante durante sessão do STF, lembrando que André do Rap está foragido há quase seis anos. Em outubro de 2020, o então ministro Marco Aurélio Mello determinou sua soltura, decisão que foi suspensa posteriormente por Luiz Fux, mas o criminoso já havia desaparecido.

A investigação revelou que Regiane Tartaglione dos Santos, 46 anos, moradora de uma favela em São Vicente (SP) e desempregada, atuou como laranja do traficante. Ela figurou como compradora formal do imóvel no Condomínio Porto Bracuhy, enquanto André do Rap operava nos bastidores sob o pseudônimo “Carlos”.

O terreno foi adquirido por R$ 1,1 milhão, com apenas R$ 55 mil depositados em conta corrente. O restante foi pago em espécie, volume flagrantemente incompatível com a renda lícita de Regiane. A construção da mansão custou R$ 2,2 milhões adicionais.

Segundo a investigação, um marinheiro conhecido como “Gil” procurou a imobiliária Porto Bracuhy em agosto de 2018, informando que repassaria os dados à sua “patroa”. Em seguida, “Carlos” (André do Rap) negociou diretamente a compra. A escritura foi lavrada no nome de Regiane, que apresentou “Carlos” como seu “administrador de confiança” durante a assinatura.

André do Rap comparecia pessoalmente à obra com frequência para vistoriá-la. Em 15 de setembro de 2019, foi preso em Angra dos Reis pela DAS (Divisão Antissequestro da Polícia Civil de São Paulo). Uma funcionária da imobiliária o reconheceu pela cobertura da imprensa como o mesmo “Carlos” que acompanhava a construção.

Após sua prisão, ninguém procurou a imobiliária para receber as chaves do imóvel, que foi encontrado em estado de abandono. Para a Polícia Federal, Regiane negou ser proprietária, afirmou nunca ter estado no Rio de Janeiro e alegou ter perdido sua carteira de identidade há cerca de quatro anos.

Porém, laudo de perícia criminal federal de documentoscopia identificou que foi Regiane quem assinou a escritura de compra do terreno. O MPF apontou que a lavagem de dinheiro praticada na modalidade ocultação possui natureza de crime permanente, uma vez que a consumação se prolonga enquanto permanecer o estado de ocultação.

André do Rap possui ao menos duas condenações criminais transitadas em julgado por tráfico internacional de drogas. Quando foi preso em 2019, tinha um helicóptero Eurocopter EC130, duas lanchas Azimut de 60 pés, múltiplas motos aquáticas e veículos de luxo. Tudo foi apreendido.

A denúncia do MPF foi apresentada em 22 de junho de 2026. Em 8 de julho de 2026, a 6ª Vara Federal Criminal do Rio recebeu a denúncia. André do Rap e sua defesa não foram notificados porque as autoridades não conseguiram localizá-lo. A defesa de Regiane afirmou que ela é inocente.

Destaques do Conhecimento

  • André do Rap, chefe do PCC, está foragido há quase 6 anos após decisão polêmica do STF em 2020
  • Denunciado por lavagem de dinheiro: compra de mansão de R$ 3,3 milhões em Angra dos Reis usando laranja
  • Operações contra o PCC na Zona Noroeste de São Paulo (Perus, Jaraguá, Anhanguera) ganham relevância com este caso
  • Mulher usada como laranja nega envolvimento; perícia confirma que ela assinou documentos da transação
  • Traficante tinha helicóptero, lanchas de luxo e múltiplos veículos quando foi preso em 2019

Fonte original: UOL Cotidiano | Adaptação: Equipe Perus Online | Publicado: 19/09/2026 17h57