Um levantamento inédito divulgado nesta quinta-feira (6) expõe as profundas disparidades que marcam a região metropolitana de São Paulo. A pesquisa, que analisou 40 indicadores em 39 municípios, revela que moradores de cidades vizinhas vivem realidades completamente distintas quando o assunto é acesso a serviços públicos e qualidade de vida.
O Mapa da Desigualdade da Grande SP, produzido pela Rede Nossa São Paulo e pelo Instituto Cidades Sustentáveis, coloca São Caetano do Sul no topo do ranking e Pirapora do Bom Jesus na última posição. A capital paulista ocupa a 16ª colocação na classificação geral, com 23,5 pontos.
Os números são alarmantes. Em São Caetano do Sul, a idade média ao morrer é de 76 anos, enquanto em Francisco Morato chega a apenas 60 anos — uma diferença de 16 anos entre cidades separadas por pouco mais de 60 quilômetros. Apenas São Caetano do Sul e Santo André apresentam idade média ao morrer superior a 70 anos. Em outras 14 cidades da região, a população vive, em média, menos de 65 anos.
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Habitação e Favelas
Na área da habitação, Mauá concentra o maior percentual de moradores vivendo em favelas e comunidades urbanas: 27,5% da população, o equivalente a cerca de 115 mil pessoas. Itaquaquecetuba segue com 24,7%, e Diadema com 22,3%. Na capital, o índice é de 15%. Sete municípios não registram moradores em favelas segundo o indicador utilizado: Guararema, Juquitiba, Salesópolis, Santa Isabel, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra e Vargem Grande Paulista.
Infraestrutura e Saneamento: o maior contraste
Os maiores contrastes identificados pelo estudo aparecem na infraestrutura de saneamento. Em Juquitiba, apenas 19,5% da população é atendida por rede de esgoto — apenas 5.300 pessoas dos 27.400 moradores. Em contrapartida, Poá, Santo André e Taboão da Serra registram cobertura de 100%.
No abastecimento de água, 11 municípios têm atendimento universal. Já São Lourenço da Serra e Juquitiba atendem menos da metade dos moradores.
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Investimentos em Infraestrutura Urbana
Os investimentos públicos em infraestrutura urbana também mostram forte desigualdade. Barueri lidera o ranking com investimento de R$ 1.157,30 por habitante em 2023. Pirapora do Bom Jesus, Biritiba Mirim e Diadema não registraram investimento na área no período analisado. Entre os maiores municípios da Grande São Paulo, Guarulhos investiu R$ 298 por morador, enquanto Osasco destinou apenas R$ 50 por habitante. A diferença entre o maior e o menor investimento supera 500 vezes.
Violência contra população LGBTQIA+
O estudo também reúne indicadores de segurança pública que vão além das taxas de homicídio. Itaquaquecetuba apresenta a maior taxa de notificações de violações de direitos humanos contra a população LGBTQIA+, com 47,1 notificações para cada 100 mil habitantes. Na capital paulista, o índice é de 11,52 notificações por 100 mil habitantes.
PIB elevado não garante qualidade de vida
Na área econômica, o levantamento mostra que riqueza produzida nem sempre se traduz em melhores condições de vida. Cajamar registra o maior PIB per capita da região metropolitana, de R$ 312,7 mil por habitante. Francisco Morato, no outro extremo, tem R$ 13,5 mil — valor cerca de 23 vezes menor. Os autores ressaltam que o PIB per capita representa a produção econômica do município e não necessariamente a renda efetivamente recebida pelos moradores.
Destaques do Conhecimento
- São Caetano do Sul lidera o ranking com 29 pontos; Pirapora do Bom Jesus fica em último com 17 pontos
- Diferença de 16 anos na idade média ao morrer entre São Caetano do Sul (76 anos) e Francisco Morato (60 anos)
- Mauá concentra 27,5% de sua população em favelas e comunidades urbanas
- Apenas 19,5% da população de Juquitiba é atendida por rede de esgoto
- Investimentos em infraestrutura urbana variam de R$ 1.157,30 por habitante (Barueri) a zero em três municípios
- Itaquaquecetuba lidera em notificações de violações de direitos humanos contra população LGBTQIA+
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online






























