Brasil enfrenta tarifas de até 37,5% dos EUA: Lula acionará OMC e economia paulista sente o impacto. O governo Lula acionou nesta segunda-feira (27) a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço imposto pela administração Trump. As taxas podem chegar a 37,5% sobre produtos brasileiros, afetando diretamente a economia de São Paulo e da região.
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro apresentou um pedido de consulta aos Estados Unidos, primeira etapa do processo na OMC. O governo contesta tanto a taxa de 25% — aplicada com base em investigação sobre práticas comerciais desleais do Brasil — quanto a tarifa de 12,5%, justificada por supostas falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado.

Para São Paulo e a Zona Noroeste, o impacto é imediato. Segundo o governo, 16,5% das exportações brasileiras aos EUA são atingidas simultaneamente pelas duas taxas. Produtos como máquinas, equipamentos, madeira, gorduras, óleos, calçados, móveis e confecções — setores que empregam milhares de paulistas — sofrerão com a redução de demanda internacional.
A disputa na OMC, porém, enfrenta um obstáculo: desde 2019, a implementação de decisões não é obrigatória pelos países-membros. Ainda assim, o Brasil busca sinalizar que respeita regras e acordos comerciais internacionais.
O Brasil argumenta que as medidas norte-americanas são “injustificadas e incompatíveis” com obrigações dos EUA no Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT 1994). A nota do Itamaraty reforça que as ações violam princípios fundamentais do direito internacional.
Na última semana, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o governo Lula não pretende retaliar os Estados Unidos, apesar das críticas. “A ideia não é retaliação. Temos instrumentos para fazê-los, no momento oportuno, da forma adequada”, disse. A equipe econômica adotou tom cauteloso após setores afetados pedirem negociações que evitem medidas de reciprocidade, que poderiam prejudicar ainda mais a economia brasileira.
Destaques do Conhecimento
- Brasil acionou a OMC contra tarifas de 25% e 12,5% impostas pelos EUA sob administração Trump
- 16,5% das exportações brasileiras aos EUA são atingidas simultaneamente pelas duas taxas
- Setores como máquinas, equipamentos, calçados, móveis e confecções sofrerão redução de demanda
- Desde 2019, decisões da OMC não são obrigatórias para implementação pelos países-membros
- Governo Lula descarta retaliação imediata e busca negociações diplomáticas
Fonte original: Folha de S.Paulo/UOL | Adaptação: Equipe Perus Online






































