Governo Lula acionará OMC contra novas tarifas dos EUA que chegam a 37,5%. A medida impacta diretamente produtos brasileiros e pode encarecer itens do dia a dia do trabalhador paulista, desde calçados até alimentos processados.
O governo federal prepara uma nova batalha diplomática contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC). A razão: as tarifas impostas pela administração Trump, que chegam a 37,5% para alguns setores, atingem em cheio produtos que saem do Brasil e afetam a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.
Para o trabalhador de São Paulo e da Zona Noroeste, essa disputa comercial tem reflexos práticos. Quando as exportações brasileiras ficam mais caras no exterior, as empresas nacionais perdem mercado, reduzem produção e, consequentemente, cortam empregos. Além disso, a retaliação comercial pode levar a aumentos de preços em produtos como calçados, confecções, móveis e alimentos processados que chegam às prateleiras das lojas paulistas.

Na última quinta-feira (23 de julho), os EUA anunciaram uma tarifa adicional de 12,5% ao Brasil, justificada por uma investigação sobre falhas no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. Somada à sobretaxa de 25% já existente por supostas práticas comerciais injustas, alguns setores enfrentam agora uma taxa acumulada de 37,5%.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), 16,5% das exportações brasileiras aos EUA são atingidas simultaneamente pelas duas medidas. Máquinas, equipamentos, madeira, gorduras, óleos, calçados, móveis e confecções estão na mira. Esses são justamente setores que empregam milhares de trabalhadores no estado de São Paulo.
O governo Lula rejeitou a decisão americana, argumentando que não há base legal para sustentar a política comercial protecionista de Trump. A administração brasileira acusa o Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR) de manipular temas de direitos humanos para justificar medidas protecionistas contra 59 países e a União Europeia.
Essa não é a primeira vez que o Brasil enfrenta Trump na OMC. Em agosto de 2025, o governo Lula já havia acionado os EUA contra tarifas anteriores de 10% e uma sobretaxa de 40%. Na época, Trump respondeu afirmando que as medidas eram questões de segurança nacional e, portanto, não estariam sujeitas à revisão da organização internacional.
O processo na OMC é longo e complexo. Começa com consultas entre os países. Se não resolverem a disputa, o Brasil pode pedir a instauração de um painel, onde três membros analisam as medidas e sua compatibilidade com os acordos comerciais. O prazo teórico é de até seis meses, prorrogáveis por mais três, mas na prática leva cerca de 12 meses. Há ainda a possibilidade de recurso ao Órgão de Apelação, embora essa instância esteja paralisada desde 2019.
Enquanto a diplomacia trabalha, o impacto econômico é imediato. Empresas brasileiras exportadoras enfrentam redução de competitividade, possíveis demissões e, para o consumidor paulista, a ameaça de encarecimento de produtos do dia a dia. A guerra comercial entre Brasil e EUA é, na verdade, uma guerra que chega até o bolso de quem trabalha nas ruas de São Paulo.
Destaques do Conhecimento
- Governo Lula abrirá nova disputa na OMC contra tarifas americanas que chegam a 37,5% para alguns setores
- 16,5% das exportações brasileiras aos EUA são atingidas simultaneamente pelas duas medidas tarifárias
- Setores como calçados, confecções, móveis e alimentos processados são os mais afetados, impactando empregos em São Paulo
- Trump justifica as tarifas com investigação sobre trabalho forçado, mas Brasil argumenta falta de base legal
- Processo na OMC pode levar até 12 meses ou mais, deixando empresas brasileiras vulneráveis no curto prazo
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online







































