Brasil enfrenta ameaça de bloqueio europeu às exportações de carne a partir de setembro. Governo intensifica negociações para evitar impacto econômico que pode afetar preços e empregos em São Paulo.
O governo brasileiro acelerou as negociações com a União Europeia para reverter a exclusão do país da lista de exportadores autorizados de produtos de origem animal. A decisão europeia, motivada por questionamentos sobre o uso de antimicrobianos na pecuária, entra em vigor em setembro e pode gerar consequências diretas no bolso do trabalhador paulista.
A medida afeta principalmente as exportações de carne bovina, frango, carne equina, além de produtos como tripas, pescado e mel. Para São Paulo, que concentra grande parte da indústria de processamento de proteína animal do país, o bloqueio representa risco significativo de desemprego e redução de renda nos setores ligados à cadeia produtiva.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou o tema diretamente com o comissário de Comércio da União Europeia na última quinta-feira. A expectativa é encontrar uma solução antes de setembro, quando a decisão europeia começará a produzir efeitos práticos.
Paralelamente, o Ministério da Agricultura e representantes do setor trabalham para atender às exigências dos europeus, que incluem inspeções presenciais em propriedades rurais. Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), afirmou que a decisão não está relacionada a problemas sanitários na produção nacional.
“A Europa não está discutindo ou tirou o Brasil da lista porque o Brasil não está cumprindo. Tirou porque não tem as garantias oficiais. Agora a gente vai agregar uma camada a mais de fiscalização”, explicou Santin, destacando que o setor já segue protocolos rígidos de controle.
O mercado europeu representa um dos maiores compradores de carne de aves e bovina brasileira, especialmente produtos com valor agregado. As exportações desses dois produtos para a Europa somam mais de US$ 1 bilhão por ano, um número bastante impactante para a economia nacional e para os trabalhadores paulistas que dependem dessa cadeia produtiva.
A exclusão do Brasil foi formalizada nesta sexta-feira (5) por meio de publicação oficial da União Europeia. Na relação divulgada em 2024, o Brasil estava habilitado a exportar carne bovina, frango, carne equina, além de produtos como tripas, pescado e mel. Com a atualização, o país deixou de figurar na lista para todos esses itens.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) manifestou apoio ao sistema de fiscalização sanitária brasileiro e reafirmou confiança no trabalho desenvolvido pelo Ministério da Agricultura. A entidade informou que continuará colaborando com o governo para fortalecer os mecanismos de controle e garantir a qualidade dos produtos destinados ao mercado internacional.
Destaques do Conhecimento
- Governo brasileiro intensifica negociações com União Europeia para reverter exclusão de exportadores de carne
- Bloqueio europeu entra em vigor em setembro e afeta exportações de carne bovina, frango e outros produtos de origem animal
- Setor de proteína animal brasileiro exporta mais de US$ 1 bilhão por ano para a Europa, impactando economia e empregos em São Paulo
- Ministério da Agricultura trabalha para atender exigências europeias, incluindo inspeções presenciais em propriedades rurais
- Decisão europeia foi motivada por questionamentos sobre uso de antimicrobianos na pecuária brasileira
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online






































