Os EUA oficializaram a designação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, mas o Planalto teme impactos na soberania brasileira e no setor financeiro. A decisão acirra tensões políticas em ano eleitoral.
Enquanto os Estados Unidos assinaram ontem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras, o governo Lula mantém sua posição contrária à medida. A designação entra em vigor em 5 de junho, após notificação ao Congresso americano.

O Planalto argumenta que o rótulo de terrorismo abre margem para pressões internacionais sobre o Brasil e pode permitir que o Tesouro dos EUA sancione empresas, fundos e bancos com supostas ligações às facções. Especialistas e integrantes do governo defendem que crime organizado e terrorismo são conceitos distintos: grupos terroristas atuam por motivações políticas, ideológicas ou religiosas, enquanto PCC e CV operam pela lógica do lucro e domínio territorial.
A ministra Gleisi Hoffmann já havia afirmado, em novembro passado, que o governo era “terminantemente contra” a classificação. Segundo ela, pela legislação internacional, o rótulo de terrorismo oferece guarida para que outros países façam intervenção no território brasileiro.
O ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski reforçou que a lei brasileira de terrorismo não se encaixa nas ações das facções, pois define o crime com elementos como inclinação ideológica e perturbação social e política — características que não caracterizam PCC e CV.
Já o ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, sustentou que mudanças de enquadramento legal têm pouco efeito prático. Para ele, o combate eficaz combina inteligência, retomada de territórios e rastreamento financeiro.
A decisão americana ocorre em contexto de tensão política doméstica, com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026. O senador pediu pessoalmente a Trump que prosseguisse com a designação, criando mais um ponto de divergência entre governo e oposição.
Destaques do Conhecimento
- EUA classificaram PCC e CV como Organizações Terroristas Estrangeiras, com vigência a partir de 5 de junho de 2026
- Governo Lula teme que a designação permita sanções a empresas, fundos e bancos brasileiros com ligações às facções
- Planalto argumenta que terrorismo e crime organizado são conceitos distintos por motivação e objetivo
- Especialistas apontam que combate eficaz requer inteligência, retomada territorial e rastreamento financeiro, não apenas mudança legal
- Decisão americana acirra tensões políticas domésticas em ano eleitoral, com Flávio Bolsonaro apoiando a medida
Fonte original: UOL | Adaptação: Equipe Perus Online






































