Documentos revelam que dono do Banco Master interferiu em decisões sobre produção cinematográfica ligada a Bolsonaro. A crise do setor financeiro afeta poupanças de paulistas.
Mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil comprovam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não apenas financiou o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro, mas também atuou diretamente nas decisões sobre como a produção seria divulgada publicamente. O banqueiro reclamou da publicação de uma reportagem sobre o longa no Portal Leo Dias em 1º de agosto de 2025, e o texto foi apagado cerca de uma hora depois.
A descoberta reforça a teia de conexões entre o setor financeiro e a política brasileira. Para o trabalhador paulista, a questão é preocupante: enquanto Vorcaro movimentava milhões em operações questionáveis, o Banco Master acumulava problemas que culminariam em sua crise posterior, afetando diretamente os poupadores e investidores da região.

Segundo a apuração, o senador Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme. Desse total, R$ 61 milhões já teriam sido pagos em seis operações. Às 12h07 do dia 1º de agosto, Vorcaro enviou mensagem ao CEO do Portal Leo Dias, Thiago Miranda, pelo WhatsApp: “Opa tudo bem? Achei que divulgar que ta fazendo o filme muito ruim, nao acha?”
Miranda respondeu concordando e afirmou que a divulgação contrariava um acordo interno. “Acho muito!! Tínhamos combinado de não divulgar nada. Vou entender agora com o Mário”, disse, referindo-se ao deputado federal Mário Frias, produtor-executivo do filme. Vorcaro voltou a reclamar: “Mas soltou no Leo. Mto ruim”. Às 12h46, Miranda respondeu que pediria a exclusão da reportagem: “Acabei de ver. Vou pedir pra apagar”.
O texto que foi removido tinha o título “História de Bolsonaro vira filme nos EUA; ex-presidente será retratado como herói” e antecipava detalhes da produção. Descrevia Bolsonaro como “um homem corajoso e determinado, impulsionado pela carreira política após a decepção com os rumos do seu amado país”. A matéria citava o diretor Cyrus Nowrasteh, o produtor Michael Davis e a diretora de elenco Ricki G. Maslar, além de informar que atores já haviam sido escolhidos para interpretar membros da família Bolsonaro.
Embora o texto tenha sido apagado do Portal Leo Dias, o Intercept localizou uma cópia arquivada no Internet Archive. Mesmo após a exclusão, outros veículos reproduziram as informações, e a existência do filme passou a ser noticiada por Veja, Estadão, Folha de S.Paulo, O Globo, UOL e Metrópoles.
Por meio de sua advogada Hallyne Marques, o Portal Leo Dias afirmou que a reportagem foi removida após dúvidas internas sobre a apuração. “Recebemos o material de uma fonte e, como não estávamos 100% convictos da apuração, acabamos por retirar do ar”, informou em nota. Thiago Miranda e a defesa de Daniel Vorcaro foram procurados para comentar a troca de mensagens, mas não responderam.
O Portal Leo Dias voltou a abordar o filme apenas em dezembro de 2025, quando a crise do Banco Master já havia levado à prisão de Vorcaro. Na ocasião, imagens das gravações vazaram nas redes sociais. Um dia depois, Leo Dias publicou um vídeo com o ator Jim Caviezel caracterizado como Bolsonaro.
Destaques do Conhecimento
- Mensagens comprovam que Vorcaro interferiu diretamente em decisões sobre divulgação do filme “Dark Horse”
- Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com o banqueiro para financiar a produção, com R$ 61 milhões já pagos
- Reportagem sobre o filme foi apagada do Portal Leo Dias após reclamação de Vorcaro, mas cópia foi preservada no Internet Archive
- Crise do Banco Master levou à prisão de Vorcaro e afetou poupadores brasileiros
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online







































