Perus em Mobilização: Comunidade Enfrenta Projeto de Incinerador de Lixo na Zona Norte de São Paulo
A região de Perus, na zona norte de São Paulo, vive um momento de intensa mobilização comunitária. Moradores e ativistas ambientais se unem contra a implementação de um incinerador de lixo que ameaça não apenas o bairro, mas também áreas de preservação ambiental e terras indígenas próximas. A audiência pública marcada para hoje (31 de março) no CEU Perus promete ser um ponto de inflexão nessa luta.
O projeto, batizado de Unidade de Recuperação Energética (URE) Bandeirantes, é responsabilidade da Loga, concessionária de coleta de resíduos sólidos da capital. A localização proposta fica a apenas 7 quilômetros da Terra Indígena do Jaraguá, habitada pelo povo Guarani Mbya, e ao lado do Refúgio de Vida Silvestre (RVS) do Parque Anhanguera, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica da cidade.
O movimento “Incinerador de Lixo em Perus, Não” denuncia a falta de consulta pública prévia com a população local e com os povos indígenas. Conforme diretrizes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) deveria estar envolvida no processo de licenciamento ambiental federal, o que não ocorreu adequadamente.
Os riscos ambientais são significativos. A área possui histórico de contaminação por gases tóxicos, incluindo metano e dióxido de carbono. Construir um incinerador sobre um local com presença de gás inflamável, como um aterro sanitário que ainda gera biogás metano, representa um risco potencial de explosão e incêndio em grande escala. Especialistas alertam que a exposição contínua a emissões de incineradores está associada a diversos riscos à saúde, especialmente para grupos vulneráveis como crianças e idosos.
Sirlei Bertolini Soares, engenheira e moradora de Perus, integrante do Conselho Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades), ressalta que o Parque Anhanguera, com cerca de 9,5 milhões de metros quadrados, é o segundo maior parque municipal da capital e pode ser severamente afetado. O Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela Loga indica que a área de influência do incinerador pode afetar indiretamente o Refúgio da Vida Silvestre e todo o bairro de Perus, principalmente pela poluição do ar.
Thaís Santos, química e moradora de Perus, cofundadora da Comunidade Cultural Quilombaque e conselheira da WWF-Brasil, alerta: “Só poderia ser reutilizado com base em estudos técnicos que monitorem a qualidade da água e do solo”. A comunidade reivindica maior transparência por parte da Prefeitura e da concessionária, além da implementação das metas do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS) de São Paulo.
Entre as demandas do movimento estão a criação de unidades de compostagem, o fortalecimento da coleta seletiva, a formação de cooperativas e o aumento do financiamento do projeto Cinturão Verde Noroeste. Perus não está sozinha nessa luta: em São Mateus, na zona leste, moradores se organizam na Frente Popular Contra a Ampliação do Aterro, onde a empresa Ecourbis propõe a instalação de outro incinerador com supressão de mais de 63 mil árvores. O Ministério Público já solicitou à Justiça a suspensão dessa ampliação.
Destaques do Conhecimento
- O Parque Anhanguera é o segundo maior parque municipal de São Paulo, com 9,5 milhões de metros quadrados
- A Terra Indígena do Jaraguá fica a apenas 7 km do local proposto para o incinerador
- O projeto está em fase de aprovação na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)
- Riscos de explosão e incêndio em grande escala devido à presença de biogás metano no subsolo
- Audiência pública marcada para 31 de março de 2026, às 17h, no CEU Perus
Fonte: Alma Preta Jornalismo | Adaptação e reescrita para Perus Online
Alt Text da Imagem: O Refúgio da Vida Silvestre (RVS) Anhanguera, em Perus, na cidade de São Paulo – área de preservação ambiental ameaçada pelo projeto de incinerador de lixo.







































