Flávio Bolsonaro é investigado no STF por possível envolvimento no financiamento do filme 'Dark Horse' sobre seu pai. O caso segue sob sigilo, mas levanta questões sobre transparência política que afetam o debate eleitoral em São Paulo.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou em julho a abertura de um inquérito para investigar a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento do filme 'Dark Horse', que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação também envolve o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP).
A Polícia Federal foi autorizada a apurar suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Segundo os investigadores, Flávio não aparece apenas como citado por terceiros: houve cobranças feitas diretamente pelo senador a Daniel Vorcaro, à época controlador do Banco Master.

Por que o sigilo permanece?
O caso Dark Horse continua sob sigilo porque ainda está em caráter preparatório para eventuais diligências investigativas. A quebra do sigilo neste momento poderia prejudicar o trabalho da Polícia Federal. Outros inquéritos relacionados ao caso Master, em que já houve medidas como prisões e buscas, tiveram documentos tornados públicos.
O ministro Mendonça levantou o sigilo de 15 procedimentos envolvendo o caso Master após solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A decisão foi assinada na noite de 10 de setembro.
O que Flávio diz sobre o filme
O senador nega irregularidades repetidas vezes. Em março, afirmou nunca ter tido contato com o dono do Banco Master. Em maio, confirmou ter pedido recursos a Vorcaro para a produção, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens em troca.
Em agosto, para a Rede Globo, Flávio declarou: “Não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar financiamento privado para um filme do próprio pai”. Ontem, durante transmissão nas redes sociais, reafirmou: “Com toda a tranquilidade do mundo, mais uma vez: não tem nada de errado com o filme do Bolsonaro. Foi tudo redondinho, investimento privado num filme privado”.
Os números do financiamento
O contrato de financiamento encontrado no celular de Vorcaro previa US$ 24 milhões em 14 parcelas, equivalente a cerca de R$ 134 milhões à época. O dinheiro saía da empresa Entre Investimentos e Participações e chegava ao Havengate Development Fund, ligado ao investidor Antônio Carlos Freixo Júnior.
O Banco Master aplicou cerca de R$ 614 milhões em empresas do grupo, segundo a representação policial. Esta semana, Mendonça homologou a delação do empresário Freixo, que operava remessas de dinheiro ao exterior para Vorcaro.
O fundo Havengate foi criado em 2020 para um condomínio no Texas que prometia green card a investidores brasileiros. Conforme revelou o site Intercept, o empreendimento imobiliário nunca começou. A gestora cancelou seu registro como gestora regulada de investimentos em 2021, quando as obras deveriam estar em andamento.
Destaques do Conhecimento
- Flávio Bolsonaro é investigado por possível envolvimento no financiamento do filme 'Dark Horse' sobre seu pai
- A Polícia Federal apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção
- O contrato previa US$ 24 milhões (R$ 134 milhões) em 14 parcelas para financiar o filme
- O caso segue sob sigilo para não prejudicar diligências investigativas em andamento
- Flávio nega irregularidades e afirma que foi 'investimento privado num filme privado'
Fonte original: UOL | Adaptação: Equipe Perus Online




































