Temperatura em São Paulo subiu 2,4°C nas máximas e 2,8°C nas mínimas em 125 anos, enquanto o planeta aqueceu apenas 1,2°C. Fenômeno da ‘ilha de calor urbana’ é o principal culpado, com impactos diretos na qualidade de vida dos paulistanos.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) apresentaram dados alarmantes sobre o aquecimento acelerado da capital. Enquanto a temperatura média global aumentou cerca de 1,2°C desde 1900, São Paulo registrou elevações muito mais intensas: 2,4°C nas máximas diárias e 2,8°C nas mínimas. O fenômeno, conhecido como “ilha de calor urbana”, resulta da substituição de áreas verdes por asfalto, concreto e edificações que absorvem e retêm calor.
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O professor Humberto Ribeiro da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG-USP), apresentou os dados durante encontro promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Segundo ele, a concentração de ilhas de calor é especialmente crítica na Região Metropolitana, onde a densidade populacional é maior. Na Grande São Paulo, as áreas urbanizadas mais críticas atingem temperaturas de superfície de até 60°C durante o verão, enquanto regiões com cobertura vegetal ficam em torno de 25°C—uma diferença de até 35°C.
O impacto nas noites é particularmente preocupante. Análises de 25 estações meteorológicas instaladas em ruas, casas e escolas da Região Metropolitana mostram que, nos últimos 15 anos, as ondas de calor provocam tardes com temperaturas entre 30°C e 34°C. À noite, por volta das 22h, os termômetros frequentemente ainda marcam 28°C—horário crítico quando a maioria das pessoas vai dormir. Muitas construções da capital carecem de isolamento térmico suficiente, comportando-se como “pequenos fornos aquecidos” que retêm o calor durante a noite.
Para a Zona Noroeste de São Paulo (Perus, Jaraguá, Anhanguera), o fenômeno é especialmente relevante. A região, com alta densidade populacional e áreas de ocupação consolidada, sofre intensamente com as ilhas de calor. O acesso aos principais eixos de locomoção—como a Linha 7-Rubi da CPTM e as Rodovias Anhanguera e Bandeirantes—amplifica a exposição ao calor irradiado pelo asfalto e pelo tráfego intenso, afetando diretamente a saúde e o bem-estar dos moradores.
A boa notícia é que soluções existem. Estudos apontam que áreas arborizadas conseguem produzir um “efeito oásis”, reduzindo significativamente a temperatura do ar nas ruas. Experimentos na Grande São Paulo demonstraram redução de até 7°C em locais com maior cobertura vegetal quando comparados a áreas densamente urbanizadas. O professor Rocha afirmou que “a revegetação urbana na Região Metropolitana é não só uma oportunidade potencial, mas também viável para o resfriamento urbano nos eventos extremos”.
A pesquisadora Thelma Krug, ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), alertou que as cidades precisam se preparar para cenários ainda mais severos. “A influência humana no aquecimento é inequívoca e rápida. Sem ela, não conseguiríamos explicar as mudanças observadas desde 1950”, afirmou. O IPCC deve lançar em 2027 um relatório especial dedicado exclusivamente às cidades e aos impactos das mudanças climáticas em áreas urbanas.
Destaques do Conhecimento
- Temperatura máxima em SP aumentou 2,4°C e mínima 2,8°C em 125 anos, acima da média global de 1,2°C
- Ilha de calor urbana é causada pela substituição de áreas verdes por asfalto, concreto e edificações
- Diferença de temperatura entre áreas urbanizadas e arborizadas varia de 7°C a 12°C durante o verão
- Noites quentes (28°C às 22h) prejudicam o sono e a saúde da população
- Revegetação urbana pode reduzir temperaturas em até 7°C em áreas críticas
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































