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Prisão de sócio oculto marca novo capítulo em investigação de desabamento que matou 6 em SP

Polícia Civil prende Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da empresa responsável pelo desabamento que matou seis pessoas na Penha. Justiça também decreta prisão temporária do filho dele, engenheiro da obra, e de mulher que aparece como proprietária formal da construtora.

A investigação sobre o colapso do prédio em construção que desabou sobre uma residência na madrugada de sábado (12) ganhou novo impulso neste domingo (13) com a prisão de Ronaldo Vivacqua. Segundo a Polícia Civil, ele atuava como sócio oculto de uma das empresas responsáveis pela obra, apesar de não constar formalmente nos documentos da construtora.

Além de Ronaldo, a Justiça decretou prisão temporária para Cristiano Vivacqua, seu filho e apontado como engenheiro responsável pela execução do projeto, e Isis Brandão, que aparece como proprietária formal da empresa. Ambos são considerados foragidos e ainda não se apresentaram às autoridades.

A delegada Safira Borges Moreira Parente afirmou que depoimentos de testemunhas e documentos antigos indicam que Ronaldo “agia, administrava e geria e participava efetivamente da obra”. Durante oitiva preliminar, Ronaldo negou envolvimento com a construtora, mas a polícia sustenta que ele é um sócio oculto baseado em evidências coletadas.

Tentativa de Ocultação e Ausência de Comparecimento

O delegado seccional de Itaquera, Antônio José Pereira, informou que policiais tentaram localizar o proprietário da empresa e o engenheiro responsável logo após o desabamento, mas não conseguiram. Os investigados não atenderam às tentativas de contato e não compareceram ao local do acidente.

Equipes também visitaram os endereços das empresas encontrados em registros administrativos e da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), mas não localizaram os responsáveis. A delegada Safira identificou indícios de “tentativa de ocultação”, elemento que foi apresentado à Justiça no pedido das prisões temporárias.

Investigação Apura Conhecimento Prévio de Problemas

A Polícia Civil também investiga se os responsáveis pela construção tinham conhecimento de problemas de estabilidade antes do colapso. Vizinhos procuraram espontaneamente os investigadores e relataram que a casa atingida já apresentava rachaduras visíveis.

Um morador que tinha familiares na residência contou à polícia que tentava entrar em contato com o proprietário do imóvel para relatar as fissuras e entender o que estava acontecendo, mas não conseguiu solucionar o problema. A polícia ressalta que ainda não determinou a causa do desabamento, conclusão que dependerá do laudo pericial de engenharia da Polícia Científica.

Segundo uma das delegadas responsáveis pelo caso, a investigação trabalha com a possibilidade de que o acidente não tenha sido totalmente imprevisível, mas sim algo que os responsáveis poderiam ter tido conhecimento sobre a instabilidade da edificação.

Histórico de Irregularidades e Descumprimento de Exigências

Outro ponto investigado é o histórico de irregularidades da construção. O alvará concedido para a nova edificação estava condicionado à demolição da estrutura que já existia no terreno. A Polícia Civil afirma que essa condição não foi cumprida.

Quando a autorização foi concedida, a estrutura existente tinha cerca de cinco ou seis andares e já era alvo de ação judicial movida pela Prefeitura pedindo sua demolição. A autorização para a nova construção estabelecia que a edificação anterior deveria ser derrubada antes da continuidade do novo projeto.

A Prefeitura abriu investigação na Controladoria Geral do Município (CGM) após o acidente. Segundo as apurações preliminares da administração municipal, a demolição exigida não teria sido realizada, apesar de uma vistoria de fevereiro de 2024 ter registrado que a determinação havia sido cumprida. A servidora responsável pelo laudo foi afastada inicialmente por 30 dias.

Seis Vidas Perdidas

O prédio em construção desabou na madrugada de sábado (12), na Rua Tequici, na Penha, Zona Leste de São Paulo, e atingiu uma casa vizinha. Oito pessoas que estavam no imóvel foram atingidas pelos escombros. Duas foram resgatadas com vida e seis morreram — três mulheres, dois homens e uma menina de 7 anos.

O corpo da menina, última vítima que permanecia desaparecida, foi encontrado na tarde deste domingo. Com a localização, os bombeiros encerraram o trabalho emergencial de buscas.

Posicionamento da Defesa e da Construtora

O advogado das empresas ligadas à obra afirmou que Ronaldo Vivacqua não exercia função de direção na construtora e negou que ele fosse sócio oculto. Segundo a defesa, Ronaldo apenas acompanhava o filho, Cristiano Vivacqua, responsável técnico pela obra. A defesa considera “prematura” a decretação das prisões temporárias e informou que pretende pedir a revogação da prisão de Ronaldo.

A defesa também negou que os responsáveis estejam tentando se esconder das autoridades, afirmando que Cristiano e Isis Brandão estão no estado de São Paulo e devem se apresentar espontaneamente à polícia nos próximos dias. Segundo a defesa, outro advogado procurou a delegacia no sábado e um responsável pela obra esteve no local do desabamento.

Sobre as irregularidades apontadas pela polícia e pela Prefeitura, a defesa sustentou que a obra estava regular. O advogado reconheceu que houve ação judicial pedindo a demolição da construção, mas afirmou que uma decisão posterior, de 6 de março de 2025, reverteu a determinação após vistoria da Prefeitura. Segundo ele, esses documentos serão apresentados no inquérito.

A New Home Construtora informou que abriu investigação interna para apurar o desabamento e afirmou que ainda não existem elementos suficientes para determinar sua causa. A construtora afirmou que não se exime de eventual responsabilidade que venha a ser apontada pelas investigações, que está prestando apoio às famílias afetadas e que dará os esclarecimentos necessários às autoridades.

Destaques do Conhecimento

  • Ronaldo Vivacqua foi preso neste domingo (13) como sócio oculto da empresa responsável pelo desabamento que matou 6 pessoas na Penha
  • Justiça decretou prisão temporária também para Cristiano Vivacqua (engenheiro da obra) e Isis Brandão (proprietária formal), ambos foragidos
  • Polícia investiga se responsáveis tinham conhecimento prévio de problemas de estabilidade; vizinhos relataram rachaduras na casa atingida
  • Alvará de construção exigia demolição de estrutura anterior, condição que não foi cumprida segundo investigação
  • Seis pessoas morreram no desabamento: três mulheres, dois homens e uma menina de 7 anos; duas foram resgatadas com vida

Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online