Investigação aponta R$ 16,5 milhões em documentos irregulares em contrato de wi-fi da Prefeitura de SP. ONG ligada à produção de filme sobre Bolsonaro apresentou notas canceladas e recibos sem valor fiscal.
Investigação revela irregularidades graves em contrato milionário de wi-fi público. A ONG Instituto Conhecer Brasil, gerida pela empresária Karina Ferreira da Gama, apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em documentos inválidos à Prefeitura de São Paulo para justificar despesas do programa de internet gratuita na periferia.
A mesma Karina é proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O contrato com a Prefeitura prevê a instalação de 5 mil pontos de wi-fi, mas apenas 3.200 foram instalados até agora.
Levantamento feito pelo G1 nas prestações de contas aponta o uso de notas fiscais canceladas no sistema da Prefeitura e apresentação de recibos sem nenhum valor fiscal para justificar gastos de até R$ 4,3 milhões em uma única fatura.
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A empresa Make One Tecnologia Digital foi contratada para locação de equipamentos. Em vez de notas fiscais, apresentou quatro faturas para justificar despesas de R$ 8,5 milhões. Essas faturas não têm valor fiscal porque não há recolhimento de imposto. Chamam atenção por terem números sequenciais e, pelo menos três delas, terem sido emitidas no mesmo dia com a mesma data de vencimento, mas com valores diferentes.
Outro caso envolve a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., contratada para prestação de serviços. Em novembro de 2025, emitiu uma nota fiscal de R$ 2 milhões por supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos. Porém, a mesma nota aparece como cancelada no sistema oficial da administração municipal, cancelada no mesmo dia em que foi emitida. Apesar disso, foi incluída na prestação de contas apresentada à gestão municipal em fevereiro deste ano.
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A empresa de André Feldman também aparece como prestadora de serviços do gabinete do deputado federal Mário Frias (PL), produtor-executivo do filme “Dark Horse” sobre Bolsonaro.
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Três exemplos de notas fiscais canceladas envolvem a empresa cearense JR Feijão Ltda., contratada sob justificativa de aluguel de equipamentos. Ao todo, foram mais de R$ 406 mil em três notas apresentadas em 2024. A maior delas, no valor de R$ 199,4 mil, foi emitida em 10 de abril de 2025, mas cancelada poucos dias depois, em 16 de abril. Mesmo assim, foi incluída pela ONG na documentação apresentada.
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Parecer da Secretaria Municipal de Tecnologia, datado de 26 de fevereiro de 2026, aponta que o instituto não poderia emitir notas para si mesmo e tampouco devolveu os valores irregulares apontados nas prestações de contas. O documento registra que há pelo menos R$ 925 mil em pagamentos em duplicidade declarados pela ONG.
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Apesar das inconformidades, os diretores da pasta optaram por “aprovar a prestação de contas da entidade com ressalvas, condicionada à restituição integral dos valores glosados”, no montante total de R$ 930.256,87. A gestão Ricardo Nunes afirmou que a empresa devolveu integralmente os R$ 930 mil e que, por isso, teve o contrato renovado para a instalação dos demais 1.800 pontos de wi-fi que ainda faltam.
Karina afirmou desconhecer notas canceladas por fornecedores contratados e que os problemas nas notas fiscais do próprio instituto foram apontadas por ela e “já estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”.
O Ministério Público investe os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. A investigação apura suposto direcionamento do chamamento público, ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil, celebração de três aditamentos contratuais em sequência com intervalos de pouquíssimos dias, e repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados.
Destaques do Conhecimento
- ONG Instituto Conhecer Brasil apresentou R$ 16,5 milhões em documentos irregulares para justificar despesas do contrato de wi-fi com a Prefeitura de SP
- Notas fiscais canceladas, faturas sem valor fiscal e recibos emitidos pela própria ONG para ela mesma foram utilizados na prestação de contas
- Apenas 3.200 dos 5 mil pontos de wi-fi previstos foram instalados, com três aditivos mudando a data de entrega total do serviço
- Ministério Público investiga suposto direcionamento do chamamento público e ausência de justificativa técnica ou econômica para a contratação
- Karina Ferreira da Gama é proprietária tanto da ONG quanto da Go Up Entertainment, produtora do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































