Mais de 400 famílias contempladas no residencial Perus 1 aguardam há meses pela entrega de apartamentos, com prazos adiados sucessivamente desde dezembro de 2025. Beneficiários relatam despejos iminentes, interrupção de tratamentos e desemprego enquanto autoridades não definem data concreta de entrega.
Moradores do residencial Perus 1, localizado na rua Mogeiro no centro de Perus, vivem uma situação de incerteza que se arrasta há meses. O empreendimento, que deveria ter sido entregue em dezembro de 2025, segue com as chaves retidas pela administração pública, deixando 426 famílias em estado de vulnerabilidade.
Os adiamentos sucessivos marcam a trajetória do projeto. Após o primeiro atraso em dezembro, a prefeitura anunciou entrega para fevereiro, depois março, e posteriormente abril de 2026. Nenhum dos prazos foi cumprido. Agora, a previsão é para o primeiro semestre, sem data específica confirmada.

As consequências para os beneficiários são imediatas e graves. Fabia Guilherme, mãe de uma criança autista, precisou interromper o acompanhamento terapêutico do filho por medo de iniciar tratamento e ter que se mudar sem aviso. “Meu filho está há um ano sem acompanhamento”, relata a moradora que vive em Itaquera.
Alessandra Rodrigues não renovou seu contrato de aluguel confiando na entrega prevista. Agora enfrenta pressão do proprietário para deixar o imóvel. “O dono já tentou me expulsar. Não tenho como financiar outro lugar”, afirma. Seu contrato venceu há meses sem perspectiva de mudança.
A situação de Maria Silva é ainda mais crítica. Mãe de seis filhos, ela enfrenta ordem de despejo desde janeiro e relata que a energia foi cortada. “Estou há dez dias no escuro”, denuncia. Monique Guimarães, desempregada e mãe de duas crianças, também vive sob pressão do proprietário que quer realocar o imóvel.

William Oliveira recebeu ultimato do dono da casa: sair até o próximo mês ou renovar contrato. “Muitos foram prejudicados porque confiaram nas datas divulgadas. Tem gente que já foi despejada”, aponta. A falta de comunicação clara agrava o cenário.
Os moradores tentam contato com autoridades há meses sem sucesso. Terezinha Manzoni, aposentada, relata que já procurou gabinetes, Sehab e Cohab, além de manifestações em redes sociais. “A única solução foi marcar reuniões, mas nunca informam quando será a entrega”, critica.
A Sehab (Secretaria Municipal da Habitação) afirma que as obras foram concluídas dentro do prazo contratual de 24 meses, conforme vistoria da Caixa Econômica Federal em dezembro de 2025. A transferência de propriedade para a Cohab foi finalizada em março de 2026. A secretaria promete entrega no primeiro semestre, mas sem data exata.
Destaques do Conhecimento
- Residencial Perus 1 acumula 5 adiamentos desde dezembro de 2025, deixando 426 famílias sem moradia definida
- Beneficiários enfrentam despejos iminentes, corte de energia e interrupção de tratamentos médicos
- Sehab promete entrega no primeiro semestre de 2026, mas sem data específica confirmada
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































