Setor de bets duplica faturamento em 2026 e já recolhe impostos equivalentes aos da indústria do tabaco e agricultura. Copa do Mundo deve injetar mais R$ 20 bilhões em depósitos para apostas esportivas.
Desde que começou a operar legalmente no Brasil em janeiro de 2025, a indústria de apostas online cresceu exponencialmente. Os dados da Receita Federal mostram que o faturamento das empresas de bets dobrou nos primeiros quatro meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. A arrecadação de impostos saltou de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões no mesmo intervalo.

Para quem vive em São Paulo e na Zona Noroeste, essa expansão tem reflexo direto no bolso. O gasto médio mensal por jogador em apostas online durante 2025 foi de R$ 123 — valor que desconta do total depositado as premiações recebidas de volta. Para famílias que já enfrentam dificuldades financeiras, esse dinheiro sai do orçamento destinado a alimentação, transporte (Linha 7-Rubi, Anhanguera, Bandeirantes) e outros serviços essenciais.
O setor movimentou R$ 12,2 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026. Em 2025, o faturamento total foi de R$ 36,9 bilhões. A expectativa é de forte expansão neste ano, especialmente durante a Copa do Mundo, quando a consultoria H2 Gambling Capital projeta aumento entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões nos valores depositados para apostas esportivas.
Atualmente, 187 sites de apostas estão autorizados a operar no Brasil. O Ministério da Fazenda emitiu 85 licenças para empresas desde o ano passado. As dez maiores marcas concentram 68,8% do mercado, lideradas pela grega Betano (23%), seguida pela inglesa Bet365 (15,1%) e pela romena Superbet (7,3%).
A expansão acontece em meio a preocupações crescentes sobre endividamento da população. Uma pesquisa do Procon-SP, realizada entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, revelou que 48% dos participantes de jogos de aposta já comprometeram parte significativa de sua renda, e 39% afirmaram ter dívidas devido às apostas.
Um estudo epidemiológico independente sobre jogos mostra um cenário de dependência pior no Brasil do que no restante do mundo. O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas da Unifesp indicou que 4,4% dos apostadores vivem uma situação de “jogo problemático” — enfrentam dependência e prejuízos significativos. A proporção está muito acima da média global, que fica na casa de 2%.
Apesar das cifras vultosas da indústria legal, a concorrência das bets clandestinas é o principal tópico de discussões do setor com o governo. Segundo estimativas da consultoria LCA, as bets clandestinas representam entre 41% e 51% do mercado total, movimentando entre R$ 26 bilhões e R$ 39 bilhões. Esses sites oferecem apostas sem pagar a licença de R$ 30 milhões e impostos, tampouco respeitam as normas de publicidade.
Destaques do Conhecimento
- Faturamento das bets dobrou nos primeiros quatro meses de 2026 em relação a 2025
- Arrecadação de impostos saltou de R$ 2,2 bilhões para R$ 4,5 bilhões no mesmo período
- Gasto médio mensal por jogador é de R$ 123, impactando orçamentos familiares em São Paulo
- Copa do Mundo deve injetar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em novos depósitos
- 4,4% dos apostadores brasileiros vivem situação de jogo problemático, acima da média global de 2%
- Bets clandestinas movimentam entre R$ 26 bilhões e R$ 39 bilhões, competindo com o mercado legal
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online
































