Após seis anos de espera, dois ex-policiais militares vão a julgamento nesta terça-feira (11) acusados de executar Guilherme Silva Guedes, adolescente de apenas 15 anos, com dois tiros na cabeça em 2020 na Zona Sul de São Paulo. O julgamento ocorre no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste, e pode durar até dois dias.
O ex-sargento Adriano Campos e o ex-soldado Gilberto Rodrigues respondem por homicídio triplamente qualificado. Segundo o Ministério Público, os dois agiram como milicianos ao sequestrar, torturar e matar o adolescente em 14 de junho de 2020. Os acusados suspeitavam que Guilherme pretendia participar de furtos na região, mas testemunhas negam a acusação e afirmam que o rapaz estava em uma festa.
O caso ganhou repercussão porque Adriano foi julgado e absolvido em 2021, mas a Justiça anulou aquele veredicto em 2022. Os desembargadores entenderam que os jurados votaram “contra provas dos autos”, especialmente por não reconhecerem que Adriano esteve próximo de Guilherme antes do crime. Gilberto não foi julgado naquela ocasião porque estava foragido desde 2015, quando escapou do Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital.
Câmeras de segurança gravaram Guilherme e Adriano em uma viela no bairro Vila Clara, em Americanópolis, Zona Sul, onde o jovem desapareceu. O corpo foi encontrado em Diadema, na Grande São Paulo. A Promotoria acusa os dois de terem atirado à queima-roupa, atingindo a boca e o crânio da vítima.
Atualmente, ambos os réus não pertencem mais à Polícia Militar. Gilberto foi expulso antes do crime; Adriano, depois. Os dois foram acusados de infrações disciplinares graves. Gilberto segue preso, enquanto Adriano responde em liberdade desde sua absolvição em 2021.
Em caso de condenação, a pena para homicídio pode chegar a 30 anos de prisão em regime fechado. As defesas alegam que os clientes são inocentes. O advogado de Gilberto, Damilton Oliveira, afirmou que “a defesa nega em absoluto essa acusação” e que “com muita tranquilidade” demonstrará a inocência do cliente ao Conselho de Sentença.
Gilberto é investigado por outras 49 mortes na capital. Há suspeita de que o ex-PM tenha participado de 29 assassinatos no Campo Limpo e de outros 20 no Capão Redondo, entre 2012 e 2013.
Destaques do Conhecimento
- Julgamento marcado para terça-feira (11) no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo
- Ex-sargento Adriano Campos e ex-soldado Gilberto Rodrigues acusados de homicídio triplamente qualificado
- Primeira absolvição de Adriano em 2021 foi anulada pela Justiça em 2022
- Gilberto investigado por outras 49 mortes na capital paulista
- Pena máxima para condenação é de 30 anos de prisão em regime fechado
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online































