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Prédios Irregulares Crescem em SP: Risco para Moradores da Zona Noroeste e Perus

Construções sem alvará e fora das normas técnicas se multiplicam em São Paulo, especialmente nas zonas leste e norte. O problema afeta diretamente quem vive em bairros como Perus, Anhanguera e Jaraguá, onde o déficit habitacional alimenta esse mercado ilegal.

Após o desabamento de um prédio no distrito da Penha que deixou seis mortos há duas semanas, a questão dos edifícios irregulares ganhou destaque. Mas o problema é muito maior: prédios cada vez mais altos, construídos por construtoras locais sem seguir normas construtivas e municipais, estão se espalhando por diversos bairros de São Paulo.

Esses empreendimentos têm características visíveis: são grandes blocos de alvenaria que ocupam terrenos estreitos praticamente por completo, sem áreas livres na frente ou nas laterais. Segundo Isadora Guerreiro, professora de Arquitetura e Urbanismo da USP, agora há uma “verticalização da ilegalidade e da irregularidade”.

Obra embargada na Vila Matilde mostra exemplo de prédio irregular mais verticalizado
Obra embargada na Vila Matilde é exemplo de como prédios irregulares estão mais verticalizados

Diferentemente de pequenas construções caseiras, esses são prédios com diversos pavimentos. Uma obra embargada da mesma construtora do edifício que colapsou na Penha, a New Home, tem cerca de 15 andares na Vila Matilde. Mesmo após embargo, vizinhos relatam temor de possível instabilidade das edificações.

A gestão Ricardo Nunes informou que a Secretaria Municipal das Subprefeituras realiza trabalho permanente de fiscalização, com 7.236 autuações em 2026. O total inclui intimações, interdições, embargos e outras penalizações, totalizando R$ 172,3 milhões em multas aplicadas. As infrações mais comuns incluem falta de documentação, construção sem certificado de conclusão e desvirtuamento do projeto aprovado.

Prédio da New Home na Vila Matilde está isolado com obra embargada
Prédio da New Home na Vila Matilde está isolado e com obra embargada

Esses prédios irregulares são especialmente vistos em bairros das zonas leste e norte, mas estão se expandindo para outras regiões, inclusive a central. O impacto vai além dos compradores: vizinhos sofrem com problemas estruturais. Na semana passada, uma escola infantil na Penha foi interditada devido a problemas ligados à obra vizinha da construtora do prédio que caiu.

Em geral, esses prédios irregulares usam alvenaria estrutural, opção mais barata e rápida. Nesse método construtivo, a parede é parte da sustentação e não há vigas e pilares. É considerado seguro se cumprir normas técnicas, mas exige cuidado técnico rigoroso.

Apartamentos de 38 m² no prédio que caiu na Penha foram anunciados por valores a partir de R$ 169 mil em 2020. Há casos em que sequer se exige pagamento de entrada. Segundo o geógrafo Gustavo Prieto, professor no Instituto das Cidades da Unifesp, esse cenário ainda é pouco mapeado, com ocorrências tratadas de forma isolada.

Um caso anterior semelhante ocorreu em fevereiro de 2025, quando obra do edifício Residencial Recanto caiu sobre casas no distrito Cachoeirinha, na zona norte. O entregador Bruno Neri, 31, ficou preso na cozinha no momento do colapso. Ele saiu pelo telhado, mas perdeu a maior parte dos móveis e eletrodomésticos. Além do prejuízo de R$ 50 mil em bens, Bruno ficou com traumas e precisou buscar tratamento psicológico. “Até hoje, se escuto um estrondo na rua, alguém jogando um balde de entulho em caçamba, eu congelo, não consigo nem me mexer”, relata.

Prieto considera que uma atuação nesse campo precisa de fiscalização, monitoramento cotidiano e combate à corrupção. Mas o problema continuará enquanto não houver redução significativa do déficit habitacional. “Essas construtoras se mobilizam com o sonho da casa própria”, conclui.

Destaques do Conhecimento

  • Prédios irregulares estão cada vez mais altos e se espalhando por bairros de São Paulo, especialmente zonas leste e norte
  • Prefeitura aplicou 7.236 autuações em 2026, totalizando R$ 172,3 milhões em multas contra irregularidades construtivas
  • Método de alvenaria estrutural é mais barato e rápido, mas exige rigor técnico para garantir segurança
  • Déficit habitacional alimenta mercado ilegal de construções, afetando principalmente população de baixa renda
  • Vizinhos sofrem impactos diretos: escolas interditadas, risco estrutural e traumas psicológicos

Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online | Data: 28 de setembro de 2026