Setembro quebra recorde histórico de chuvas em São Paulo e recupera o Sistema Cantareira em apenas 15 dias. O principal manancial da Região Metropolitana ganha 58,1 bilhões de litros, elevando o armazenamento de 33,1% para 39,1%.
O mês de setembro de 2026 marca um ponto de virada na crise hídrica que afetava a Grande São Paulo. Com precipitações recordes, a capital paulista acumula 261,8 mm de chuva até o dia 15 — o maior volume para este período desde 1943, quando o Instituto Nacional de Meteorologia começou suas medições.
Essa recuperação hídrica tem impacto direto na segurança do abastecimento para toda a Região Metropolitana, incluindo a Zona Noroeste (Perus, Jaraguá e Anhanguera). O Sistema Cantareira, responsável por abastecer milhões de paulistanos, passou de 325,5 bilhões para 383,6 bilhões de litros em apenas duas semanas.
O que muda na operação do Cantareira
O volume útil do sistema saltou de 33,14% para 39,06% entre 1º e 15 de setembro — um avanço de 5,86 pontos percentuais. Atualmente, o Cantareira opera na Faixa 3 (Alerta), que limita a retirada de água a 27 m³/s. Se mantiver o ritmo de recuperação, pode migrar para a Faixa 2 (Atenção) ainda em setembro, quando o armazenamento fica entre 40% e 60%.
Para contexto: em situação de normalidade, a captação pode chegar a 33 m³/s. A mudança de faixa operacional será avaliada ao fim do mês.
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Recuperação em tempo recorde
Em apenas duas semanas de setembro, o Cantareira recuperou cerca de metade do volume perdido nos cinco meses anteriores (abril a agosto). O ponto mais alto do ano havia sido registrado em 25 de março, com 44,11% de armazenamento. Desde então, o sistema sofreu redução gradual durante a estiagem, encerrando agosto com apenas 33,02%.
Cenários otimistas para o fim do ano
Segundo a hidróloga Luz Adriana Cuartas, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), um aumento de 5% em apenas duas semanas é considerado expressivo. Ela destaca que, mesmo em cenário pessimista com chuvas 50% abaixo da média até dezembro, o sistema poderia encerrar o ano com cerca de 30% — superior ao registrado no fim de 2025 (20%).
Nos cenários mais favoráveis, o Cantareira poderia atingir 52% (chuvas na média), 66% (25% acima da média) ou até 82% (50% acima da média) até dezembro.
Medidas de gestão hídrica em vigor
A SP Águas informou que a melhora das condições levou o Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica a autorizar a redução da Gestão de Demanda Noturna (GDN) para oito horas ao longo de setembro. Medidas adotadas durante a estiagem, como a redução da pressão na rede durante a noite, já proporcionaram uma economia acumulada de cerca de 193 bilhões de litros.
A Sabesp reafirma que as projeções operacionais para 2026 indicam segurança no abastecimento da Região Metropolitana mesmo diante de diferentes cenários hidrológicos.
Destaques do Conhecimento
- Setembro de 2026 é o mês mais chuvoso da história de São Paulo desde 1943, com 261,8 mm acumulados até o dia 15
- Sistema Cantareira ganhou 58,1 bilhões de litros em apenas 15 dias, recuperando metade do volume perdido em cinco meses
- Volume útil passou de 33,14% para 39,06%, com potencial para migrar de Faixa 3 (Alerta) para Faixa 2 (Atenção) ainda em setembro
- Cenários do Cemaden indicam que o sistema pode encerrar 2026 com 30% a 82% de armazenamento, dependendo das chuvas futuras
- Medidas de gestão hídrica como redução noturna de pressão economizaram 193 bilhões de litros durante a estiagem
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online



































