A tensão institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu novo patamar nesta terça-feira (15 de setembro de 2026) com acusações graves entre ministros. Alexandre de Moraes apresentou manifestação de 121 tópicos ao presidente da Corte, Edson Fachin, denunciando que André Mendonça conduziria investigação contra ele por motivações políticas e eleitorais, ligadas à atuação do STF nos processos sobre a tentativa de golpe de Estado. A crise institucional no Supremo, que envolve também o caso Master e o banqueiro Daniel Vorcaro, expõe fraturas profundas na Corte máxima do país.
Moraes sustenta que a investigação foi direcionada ilegalmente com finalidade político-eleitoral. Em sua defesa, o ministro afirma que Mendonça teria solicitado à Polícia Federal, em mais de uma ocasião, que encaminhasse provocação formal para iniciar investigação contra ele. Documentos internos da PF, anexados à manifestação, registram que o relator “denota interesse no início de investigação formal” e teria indagado expressamente sobre o que constava nos dados extraídos do celular de Vorcaro relacionados a Moraes.
O primeiro argumento jurídico apresentado por Moraes questiona a própria validade da ordem de investigação. Segundo ele, Mendonça não poderia ter determinado, por iniciativa própria, diligências contra outro ministro do STF sem pedido da Polícia Federal, manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou autorização do plenário. Relatórios de inteligência da PF revelam que a decisão de 24 de agosto foi entregue “em reunião presencial” no gabinete do relator, em “exemplar físico, sem assinatura”, sendo assinada nos autos apenas quando a PF condicionou a entrega do resultado à visualização formal da ordem assinada.
Moraes também reconstrói a cronologia dos eventos para demonstrar que Mendonça escolheu deliberadamente quando levar adiante as informações. O ministro afirma que Mendonça sabia desde 18 de maio que seu nome aparecia no material extraído do celular de Vorcaro, mas “preferiu aguardar o momento político-eleitoral mais visível, véspera do comício de 7 de setembro, para produzir sua farsa”. A manifestação menciona ainda “o vazamento pelo próprio relator” na semana anterior ao 7 de Setembro e “a gravação de um vídeo nas redes sociais pelo próprio Ministro relator, na véspera dos comícios”, descrito como “fato inédito na história do STF”.
Os relatórios de inteligência da PF apresentam acusações ainda mais graves. Um deles registra que Mendonça “adota posturas muito diferentes diante de ilicitudes aparentes relacionadas aos Ministros Dias Toffoli e Nunes Marques, em comparação com sua percepção no que toca ao Ministro Alexandre de Moraes”. Os investigadores identificaram “indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial” e sugeriram “adoção de standards probatórios distintos conforme o espectro político”.
A manifestação também menciona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como possível “alvo estratégico” nas investigações de Mendonça. Moraes anuncia que pedirá a Fachin a intimação de testemunhas “que presenciaram, em várias reuniões, os diversos pedidos do Ministro André Mendonça para a Polícia Federal solicitar medidas” contra ele e Alcolumbre.
Quanto ao conteúdo das mensagens atribuídas a Moraes, o ministro questiona a metodologia do relatório. Das 52 anotações extraídas do bloco de notas de Vorcaro e relacionadas a supostas conversas com Moraes, 47 (90,4%) “não foram localizadas em nenhuma conversa” de WhatsApp. Moraes afirma que a associação foi feita “por estimativa temporal”, relacionando o horário de criação de uma anotação ao envio posterior de uma mensagem, o que considera insuficiente para determinar conteúdo e destinatário.
Moraes também levanta suspeitas sobre a própria produção do relatório. O ministro afirma que o prazo de 72 horas estabelecido por Mendonça seria “impossível” para produzir um documento daquela dimensão. Segundo ele, os metadados mostram que o arquivo “foi aberto e finalizado no mesmo dia no computador da PF”, sugerindo que o relatório pode ter sido “'plantado' nos computadores da PF”.
A Procuradoria-Geral da República chegou a conclusão semelhante à defendida por Moraes. Em parecer de 1º de setembro, a PGR afirmou que “a ordem para a investigação dada pelo Ministro relator e os elementos por ela colhidos sofrem de dupla nulidade” e pediu a extinção da petição. A sessão extraordinária desta terça-feira (15) no plenário do STF analisará o pedido da PGR para extinguir a Petição 16.662.
Destaques do Conhecimento
- Moraes acusa Mendonça de conduzir investigação por “vingança” ligada à tentativa de golpe de Estado
- Relatórios internos da PF registram que Mendonça solicitou mais de uma vez que a equipe encaminhasse provocação formal para iniciar investigação contra Moraes
- A ordem de investigação foi entregue “em exemplar físico, sem assinatura” e só foi assinada nos autos quando a PF condicionou a entrega à visualização formal
- Moraes questiona 90,4% das mensagens atribuídas a ele, afirmando que não foram localizadas em conversas de WhatsApp
- PGR pediu a extinção da petição, afirmando que a investigação sofre de “dupla nulidade”
- Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é mencionado como possível “alvo estratégico” nas investigações
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Perus Online
Caption: Ministro Alexandre de Moraes durante sessão no Supremo Tribunal Federal – foto oficial do STF




































