São Paulo acumula 253,8 mm de chuva em apenas 14 dias de setembro, superando o recorde de 1983. Moradores de Perus e região enfrentam alagamentos, quedas de árvores e impactos no trânsito das Rodovias Anhanguera e Bandeirantes.
A capital paulista vive um cenário climático extremo. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o mês de setembro de 2026 já é o mais chuvoso registrado desde 1943, quando começaram as medições oficiais. Em apenas 14 dias, até a manhã de segunda-feira (14), a estação meteorológica do Mirante de Santana, na zona norte, contabilizou 253,8 milímetros de precipitação.
O volume é três vezes superior à média climatológica para todo o mês de setembro, que é de 83,3 mm. O recorde anterior havia sido registrado em 1983, com 243,1 mm. Desde sexta-feira (11), a Defesa Civil do Estado mantém gabinete de crise mobilizado no Palácio dos Bandeirantes, monitorando a situação em todo o estado.

Impactos na Zona Noroeste e Grande São Paulo
Na Grande São Paulo, os efeitos das chuvas são visíveis em toda a região. Alagamentos atingem bairros como Jardim Pantanal (zona leste), onde moradores precisam usar barcos para se locomover pelas ruas. Na região de Perus e Jaraguá, na zona noroeste, o acúmulo de água em vias de acesso e a possibilidade de deslizamentos em áreas de encosta representam risco para a população.
O Corpo de Bombeiros realiza buscas por um homem de 33 anos que desapareceu após ser levado por enxurrada em Jandira no sábado (12). Uma mulher conseguiu se salvar ao se agarrar à vegetação, mas o corpo de outro homem foi localizado no piscinão de Barueri. As Rodovias Anhanguera e Bandeirantes, principais vias de acesso à zona noroeste, registram pontos de alagamento e redução de velocidade.
Fenômeno climático e previsão
A precipitação acima da média é provocada pela junção de duas frentes frias que vieram da região Sul do país e se fixaram entre o Paraná e São Paulo. A previsão é que a chuva comece a diminuir nesta terça-feira (15), oferecendo uma trégua nos próximos dias. Porém, meteorologistas alertam que uma nova frente fria deverá chegar ao estado no fim de semana, provocando mais chuvas que aumentarão o volume total do mês.
O cenário de muita umidade do ar e frio provocou um fenômeno que atraiu a atenção dos paulistanos: embaçamento acima do normal de vidros de carros e casas, além de portas de refrigeradores e até paredes.
Situação crítica no Vale do Ribeira e Paraná
No Vale do Ribeira, interior de São Paulo, a situação é ainda mais crítica. Dez das 22 cidades da região estão entre as que mais receberam chuva nas últimas 72 horas. O rio Ribeira de Iguape subiu cerca de nove metros desde o início das chuvas, forçando moradores a deixarem áreas de casas e comércios. Em Registro, foram contabilizados 185,3 mm até o dia 13.
No Paraná, a situação é ainda mais grave. Desde domingo (13), ao menos uma pessoa morreu e duas seguem desaparecidas. Um total de 2.468 pessoas precisou deixar suas casas. Na madrugada de segunda-feira, o Corpo de Bombeiros encontrou o corpo de um homem às margens do rio Ribeira, em Rio Branco do Sul.
Destaques do Conhecimento
- São Paulo acumulou 253,8 mm de chuva em 14 dias de setembro, superando o recorde de 1983 (243,1 mm)
- O volume é três vezes superior à média climatológica mensal de 83,3 mm
- Defesa Civil mantém gabinete de crise mobilizado desde sexta-feira (11) monitorando todo o estado
- Previsão de diminuição de chuvas nesta terça (15), mas nova frente fria deve chegar no fim de semana
- Vale do Ribeira é a região mais crítica, com rio Ribeira subindo 9 metros e moradores evacuando áreas
- Rodovias Anhanguera e Bandeirantes registram pontos de alagamento e impactos no trânsito
Fonte original: UOL Cotidiano / Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online | Publicado: 14 de setembro de 2026




































