Candidato do PT ao governo de São Paulo apresenta propostas para reduzir filas de atendimento e renegociar contratos de privatização. Entrevista ao SP1 marca série de sabatinas com candidatos à sucessão estadual.
Fernando Haddad (PT) reafirmou nesta segunda-feira (14) seu compromisso em utilizar inteligência artificial para desafogar as filas da saúde pública paulista, caso vença as eleições. Durante entrevista ao telejornal SP1, da TV Globo, o candidato detalhou planos para modernizar a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), responsável por gerenciar o acesso de pacientes a vagas no SUS estadual.
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Segundo o petista, a implementação de gestão inteligente de filas permitirá integrar dados do Samu, prontos atendimentos e leitos hospitalares em uma única plataforma. Haddad prometeu que, no primeiro ano de governo, a tendência atual de crescimento das filas seria revertida, embora não tenha estabelecido metas específicas de redução em número de pacientes ou tempo de espera.
O candidato também reiterou a intenção de criar hospitais-dia para procedimentos que não exigem internação. Diferentemente de sua campanha em 2022, quando propunha 70 unidades, Haddad afirmou que o número será reavaliado considerando a reabertura de leitos após a pandemia.
Na Zona Noroeste de São Paulo, onde bairros como Perus, Jaraguá e Anhanguera enfrentam históricos desafios de acesso à saúde, essas propostas ganham relevância especial. A região, servida pela Linha 7-Rubi da CPTM e pelas rodovias Anhanguera e Bandeirantes, depende fortemente de políticas de descentralização de serviços de saúde para reduzir o tempo de deslocamento até unidades de referência.
Sabesp e Renegociação de Contratos
Questionado sobre a privatização da Sabesp, Haddad descartou um simples rompimento do contrato, mas sinalizou disposição para revisar cláusulas caso assuma o governo. O candidato afirmou que formará uma equipe para analisar contratos de privatizações e concessões, citando especificamente Sabesp, CPTM e free flow.
Segundo Haddad, concessionárias poderão ser multadas e, em último caso, os contratos poderão ser questionados judicialmente. “Nós vamos rever as cláusulas desse contrato e eu vou aplicar penalidades duras quando vocês falharem com a população”, afirmou.
Ao ser perguntado se conseguiria reduzir a conta de água, Haddad não fez essa promessa direta, mas indicou que uma redução dependeria da possibilidade de rever cláusulas de reajuste previstas no contrato. O candidato ainda afirmou que poderá chegar ao rompimento caso as empresas não se adequem às exigências do poder público.
Rejeição e Críticas ao Governo Tarcísio
Haddad também foi questionado sobre sua dificuldade de conquistar votos no interior do estado e sobre a rejeição de 48% registrada pelo Datafolha. O candidato respondeu que os índices de rejeição estão elevados de maneira geral e atribuiu o cenário às dificuldades enfrentadas pela política em geral.
“As rejeições estão muito altas, porque a política está muito difícil para todo mundo”, respondeu. Na sequência, argumentou que governadores ficam mais “abaixo do radar” do eleitor do que presidentes e prefeitos, o que explicaria maiores índices de reeleição.
O petista aproveitou para criticar a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que São Paulo vive um momento ruim das finanças públicas e criticando os resultados do estado em educação, saúde e segurança pública.
Segurança Pública e Tecnologia
Ao falar sobre roubos de celulares, Haddad afirmou que a Segurança Pública de São Paulo precisa se modernizar e prometeu adotar novas tecnologias para agilizar o registro de ocorrências e a atuação das polícias. Entre as propostas está a possibilidade de registrar boletins de ocorrência pelo WhatsApp.
“Nós estamos na época do telefone fixo em São Paulo. Não atualizamos, não nos modernizamos. Eu quero fazer o B.O. por Zap. Você vai fazer o B.O. da forma mais simplificada e em tempo real”, afirmou o petista.
Haddad disse ainda que pretende reunir os registros em uma central e usar inteligência artificial para analisar os dados e orientar o patrulhamento da Polícia Militar e as investigações da Polícia Civil. Segundo ele, isso permitiria acompanhar mais rapidamente o deslocamento da criminalidade pelo estado.
Educação e Escolas Cívico-Militares
Na educação, Haddad afirmou que pretende eliminar o uso das plataformas digitais que, segundo ele, têm substituído outras formas de estudo nas escolas estaduais durante a gestão Tarcísio. O candidato também prometeu realizar concursos e efetivar professores da rede estadual.
“Professor não vai ficar preenchendo plataforma de forma inútil, que levou a esse descalabro das notas do Ensino Médio. Nós vamos fazer concurso, que vão passar por estágio probatório. Professor bom vai ser efetivado e vai ter tempo para planejar sua aula e a relação com cada aluno da sua sala”, afirmou.
Sobre as escolas cívico-militares, Haddad afirmou que não pretende ampliar o modelo, mas respeitará a decisão das comunidades escolares sobre a manutenção das unidades que já adotam o sistema.
Destaques do Conhecimento
- Haddad propõe usar inteligência artificial para modernizar a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) e reduzir filas no SUS estadual
- Candidato promete revisar contratos de privatizações, incluindo Sabesp, CPTM e free flow, com possibilidade de multas e ações judiciais
- Plano de segurança pública inclui registro de boletins de ocorrência via WhatsApp e uso de IA para análise de dados criminais
- Na educação, Haddad quer eliminar plataformas digitais nas escolas e efetivar professores através de concursos públicos
- Tarcísio de Freitas (Republicanos) será entrevistado nesta terça-feira (15) no SP1, continuando a série de sabatinas com candidatos ao governo
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online



































