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Brigadeiro revela como indicação de generais para Defesa alimentou trama golpista no Brasil

Brigadeiro Carlos Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, concedeu entrevista revelando detalhes inéditos sobre como a escolha de oficiais-generais para o Ministério da Defesa contribuiu para a escalada de uma tentativa de golpe de Estado. O militar, que se tornou testemunha central no julgamento de 2025, lança em setembro o livro “Eu disse não! – Uma trincheira antigolpista” pela editora Autêntica, onde documenta sua experiência durante o governo anterior e analisa os bastidores da crise institucional que marcou o Brasil.

Durante a conversa, o brigadeiro criticou duramente a estratégia de colocar generais recém-saídos da ativa em posições de comando no Ministério da Defesa. Segundo ele, essa prática viola o princípio fundamental de controle civil sobre as instituições militares, diferentemente do modelo adotado nos Estados Unidos, onde exige-se um período de sete anos de afastamento antes que um militar possa assumir tal cargo. A sucessão de quatro oficiais-generais do Exército, todos com patente de quatro estrelas, no comando da pasta, representou, na avaliação do brigadeiro, uma vulnerabilidade institucional que facilitou pressões políticas inadequadas.

O militar destacou que a participação do ex-presidente em manifestações militaristas, como o sobrevoo de helicóptero sobre a Praça dos Três Poderes e o desfile de blindados da Marinha em frente ao Palácio do Planalto, sinalizavam uma crescente normalização de atos que extrapolavam os limites constitucionais. Baptista Júnior relatou que o ponto de inflexão ocorreu em 14 de dezembro, quando uma minuta de golpe foi apresentada aos três comandantes das Forças Armadas, momento em que a gravidade da situação se tornou incontestável.

A entrevista também abordou o comportamento do general Paulo Sérgio, ex-ministro da Defesa, que o brigadeiro descreveu como marcado por “dubiedade”. Enquanto o general aparentava reprovar atos ilegais, simultaneamente apresentava propostas golpistas aos comandantes. Baptista Júnior lamentou essa postura, afirmando que Paulo Sérgio não era um golpista convicto, mas sim alguém que se mostrou “fraco” na hora de dizer não ao ex-presidente.

O brigadeiro também confirmou o relato de que o general Marco Antonio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, teria dito ao ex-presidente que seria obrigado a prendê-lo caso prosseguisse com a minuta golpista. Segundo Baptista Júnior, essa frase não foi proferida em tom de ameaça ou ironia, mas como uma declaração institucional dentro de uma conversa sobre possíveis estados de exceção.

Questionado sobre possíveis interferências externas e riscos de novos golpes, o brigadeiro descartou cenários catastróficos. Afirmou que as Forças Armadas atuais estão mais conscientes de suas atribuições constitucionais e que a geração atual de militares está distante de movimentos golpistas. Porém, expressou preocupação com pesquisas que indicam que parcela significativa da população ainda consideraria aceitável um golpe de Estado, o que o motivou a escrever seu livro como ferramenta educativa para gerações futuras.

Destaques do Conhecimento

  • Brigadeiro Carlos Baptista Júnior revela como a indicação de generais para o Ministério da Defesa facilitou a trama golpista
  • Crítica ao modelo brasileiro que permite militares recém-saídos da ativa em cargos de defesa, diferente dos EUA que exigem 7 anos de afastamento
  • Confirmação de que general Marco Antonio Freire Gomes alertou ex-presidente sobre possível prisão caso prosseguisse com golpe
  • Brigadeiro lança livro em setembro documentando bastidores do governo anterior e crise institucional
  • Preocupação com pesquisas indicando que parcela da população ainda consideraria golpe aceitável

Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Perus Online

Caption: Brigadeiro Carlos Baptista Júnior, ex-comandante da Aeronáutica, durante entrevista ao ICL Notícias revelando detalhes sobre a tentativa de golpe de Estado e o papel da escolha de generais para o Ministério da Defesa na escalada da crise institucional brasileira.