Candidatos que concorrem em 2026 multiplicaram patrimônios em até 4,3 mil vezes desde a última eleição. Levantamento revela saltos milionários concentrados em poucos ativos, enquanto paulistas enfrentam inflação e desemprego.
Um levantamento exclusivo do ICL Notícias, analisado pela equipe Perus Online, expõe um contraste gritante na realidade brasileira: enquanto trabalhadores da Zona Noroeste de São Paulo lutam para manter o poder de compra diante da inflação, candidatos que disputam eleições em 2026 acumulam fortunas em velocidade espantosa.
O destaque fica com Felipe Cecílio (PSDB-GO), candidato a deputado federal com apenas 26 anos. Sua declaração ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) saltou de R$ 20 mil em 2022 para R$ 86,8 milhões em 2026 — uma multiplicação de mais de 4,3 mil vezes. Para colocar em perspectiva: esse crescimento equivale a aproximadamente 434 mil%.
O padrão se repete entre os dez candidatos que mais ampliaram patrimônios. Juntos, eles somam R$ 854,8 milhões em crescimento declarado. A maioria concentra essas fortunas em poucos ativos: participações em empresas, aplicações financeiras, empreendimentos hoteleiros e redes de negócios.

O ex-jogador Marcelinho Carioca (Republicanos-DF) ocupa a segunda posição. Seu patrimônio cresceu 1.715% em apenas dois anos — de R$ 2,5 milhões para R$ 45,37 milhões. A maior parte dessa fortuna (88%) está concentrada no Atibaia Seven Resort, um empreendimento hoteleiro avaliado em R$ 40 milhões.
Ari Nascimento (PL-PA), candidato a deputado estadual, vem em terceiro lugar com crescimento de 1.434%. Seus bens saltaram de R$ 2,96 milhões para R$ 45,4 milhões, com R$ 40 milhões concentrados em participação societária na Brita Forte Ltda.
Edward Júnior (Novo-GO), candidato a deputado estadual, multiplicou seu patrimônio em 1.304% — de R$ 5 milhões para R$ 70,2 milhões em dois anos. Aqui também o padrão se repete: R$ 60 milhões em quotas de capital representam 85% de toda a declaração.

Adriano Coelho (MDB-PA), candidato a deputado federal, apresenta um caso diferente. Seus R$ 7,3 milhões em 2022 se transformaram em R$ 71,2 milhões em 2026 — crescimento de 875%. Diferentemente de outros, sua fortuna está pulverizada em aplicações financeiras: R$ 36,92 milhões em Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI e LCA) na Caixa Econômica Federal, mais R$ 30 milhões nos mesmos tipos de aplicação no Banpará.
Dr. Edson da Paiol (Podemos-SP) — este sim com conexão direta com São Paulo — aparece na sexta posição. O candidato a deputado estadual informou R$ 9,5 milhões em 2024 e agora declara R$ 51 milhões, crescimento de 437%. A principal fatia são R$ 40 milhões referentes à participação em 34 clínicas veterinárias.
Para o trabalhador paulista, especialmente na Zona Noroeste, esses números revelam uma realidade desconfortável: enquanto políticos multiplicam fortunas através de participações empresariais e aplicações financeiras, a população enfrenta inflação de alimentos, transporte mais caro e desemprego estrutural.

ACM Neto (União Brasil-BA), ex-prefeito de Salvador, aparece na sétima posição com crescimento de 103,5%. Seu patrimônio praticamente dobrou: de R$ 41,7 milhões para R$ 84,9 milhões. Sua declaração é uma das mais pulverizadas, com 44 registros incluindo fundos imobiliários, ações, imóveis e participações empresariais.
Os casos de maior aumento nominal — Antidio Lunelli (MDB-SC) com R$ 223,2 milhões a mais e Otaviano Pivetta (Republicanos-MT) com R$ 196,8 milhões adicionais — mostram que candidatos que já possuíam fortunas próximas de R$ 400 milhões continuam acumulando riqueza em ritmo acelerado.
Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais e candidato à presidência, fecha o ranking com o menor crescimento percentual (37,7%), mas ainda assim adicionou R$ 48,9 milhões ao seu patrimônio. Sua maior fatia está em uma holding familiar avaliada em R$ 94,5 milhões.
O levantamento do ICL Notícias considerou dados declarados ao TSE, descartando primeiros suplentes, declarações com erros reconhecidos e registros flagrantemente incompatíveis. Ainda assim, o padrão é cristalino: concentração de riqueza entre candidatos, enquanto a maioria dos brasileiros vê seu poder de compra diminuir.
Destaques do Conhecimento
- Felipe Cecílio (PSDB-GO) multiplicou patrimônio em 4,3 mil vezes: de R$ 20 mil para R$ 86,8 milhões em quatro anos
- Os dez candidatos com maiores aumentos proporcionais somam R$ 854,8 milhões em crescimento declarado
- Em pelo menos seis casos, dezenas de milhões estão concentrados em um ou poucos ativos (participações societárias, aplicações financeiras, empreendimentos)
- Dr. Edson da Paiol (Podemos-SP) é o único paulista no ranking, com crescimento de 437% em dois anos
- Candidatos que já possuíam fortunas elevadas continuam acumulando centenas de milhões, enquanto trabalhadores enfrentam inflação
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Equipe Perus Online | Publicado: 18 de agosto de 2026







































