Turistas relatam falta de orientações e equipamentos inadequados em acidente que deixou uma morte nas Cataratas do Iguaçu. Investigação aponta falhas em protocolos de segurança que podem impactar regulamentações em todo o país.
Um acidente em passeio de barco no Parque Nacional do Iguaçu, ocorrido no dia 28 de julho, deixou uma vítima fatal e levantou questões críticas sobre segurança em atividades turísticas. Turistas holandeses que sobreviveram ao incidente prestaram depoimento à Polícia Civil do Paraná e apontaram graves falhas na preparação e equipamento para emergências.

Segundo os depoimentos divulgados pelo programa Fantástico, os turistas afirmaram que não receberam instruções sobre o que fazer caso a embarcação virasse. Além disso, criticaram a qualidade dos coletes salva-vidas, relatando que os equipamentos não os ajudaram a flutuar adequadamente nas águas turbulentas do rio. O delegado Carlos Eduardo Pezzette Loro confirmou que os sobreviventes mencionaram “extrema dificuldade em permanecer em cima da água” e que “engoliram bastante água”.
A vítima, Mark Lensink, 25 anos, se afogou e sofreu uma parada cardiorrespiratória. Ele estava em grupo com familiares holandeses que também estavam no barco. A investigação ainda está em andamento, mas já aponta para o indiciamento dos gestores da empresa Ilha do Sol por homicídio culposo.
A empresa responsável pelo passeio nega as acusações, afirmando que utiliza coletes classe 3 apropriados para água fluvial e que oferece orientações aos visitantes. Porém, o delegado destacou que “faltam protocolos de segurança, orientação sobre o que fazer quando a embarcação virar, sobre como colocar o colete, sobre como verificar se o colete estava em condição de uso”.
O acidente ocorreu quando o barco enfrentou ondas grandes, possivelmente causadas por ventos fortes. A vazão do rio Iguaçu no momento estava em 4,3 milhões de litros por segundo, dentro dos parâmetros permitidos para navegação. Os passeios foram retomados no sábado (1º), após três dias de suspensão, com revisão da frota e estudos sobre o comportamento das águas.
Além do inquérito policial, a Marinha do Brasil também abriu investigação administrativa para apurar as circunstâncias e responsabilidades no acidente.
Destaques do Conhecimento
- Turistas holandeses relataram não ter recebido orientações sobre procedimentos de emergência antes do passeio
- Investigação aponta falhas em protocolos de segurança e qualidade inadequada de equipamentos de proteção
- Gestores da empresa Ilha do Sol podem ser indiciados por homicídio culposo
- Marinha do Brasil abriu inquérito administrativo paralelo para investigar o acidente
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online




































