Polícia Civil de São Paulo identifica estrutura criminosa organizada em redes online que aliciam crianças e adolescentes para exploração sexual. Em 18 meses, foram mapeadas 1,3 mil vítimas, a maioria meninas entre 6 e 15 anos, com prisão de 624 agressores.
Investigações do Núcleo de Operações e Articulações Digitais (Noad) da Polícia Civil paulista revelam que grupos criminosos que exploram crianças online possuem estrutura hierárquica e divisão de tarefas idêntica à de facções criminosas tradicionais. A descoberta marca um novo patamar de organização no crime digital contra menores.
O aliciamento começa de forma aparentemente inocente: namoro virtual ou amizade em aplicativos como Discord, Telegram e Roblox. Após ganhar confiança da vítima, o agressor migra para plataformas privadas. Quando a criança envia fotos ou vídeos íntimos, fica sob controle total do criminoso, que já possui informações pessoais: escola, igreja, local de trabalho dos pais.
A partir desse ponto, a coerção intensifica. Vítimas são forçadas a se automutilarem online, maltratar animais de estimação, sofrer estupro virtual e, em casos extremos, são coagidas ao suicídio. A delegada-chefe do Noad, Lisandréa Salvariego Colabuono, relatou caso de menina de 9 anos coagida durante transmissão ao vivo a ingerir medicamentos para tirar a própria vida.
Hierarquia Criminosa Mapeada:
- Líder: Cria servidores e promove integrantes
- Administrador: Seleciona participantes dos servidores
- Moderador: Controla etapas de aliciamento conforme “cartilha” interna
- Orador: Comunica-se com vítimas, emite ordens ou comete estupro virtual
Os autores dos crimes são frequentemente adolescentes entre 11 e 17 anos, motivados por reconhecimento online e afirmação social. Para “ascender” na hierarquia, precisam cumprir desafios que envolvem praticar crimes.
Desde a criação do Noad, 624 alvos foram presos ou internados. Outros 2 mil estão sob monitoramento contínuo. Dados nacionais mostram que 1 em cada 3 autores de crimes envolvendo material de abuso sexual infantil é adolescente, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
A delegada alerta: “Quando os pais dão um celular para o filho, estão dando a porta de entrada para os crimes mais perversos que existem hoje”. A maioria dos pais desconhece completamente o que acontece com seus filhos online.
Destaques do Conhecimento
- Núcleo especializado da Polícia Civil mapeou 1,3 mil vítimas em 18 meses, 96% meninas entre 6 e 15 anos
- Grupos criminosos possuem estrutura hierárquica com divisão exata de funções, similar a facções
- Aliciamento começa em aplicativos (Discord, Telegram, Roblox) com namoro ou amizade virtual
- Vítimas são coagidas a automutilação, abuso animal, estupro virtual e, em casos extremos, suicídio
- Autores são frequentemente adolescentes entre 11 e 17 anos em busca de reconhecimento online
- 624 agressores foram presos ou internados; 2 mil estão sob monitoramento
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online




































