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EUA sanciona PCC: maior crime organizado do Ocidente tem empresas bloqueadas em São Paulo

EUA classifica PCC como maior organização criminosa do Ocidente e sanciona dois brasileiros e três empresas de São Paulo envolvidas em lavagem de dinheiro. Operação afeta diretamente a segurança e economia da capital paulista.

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (1º) sanções contra dois brasileiros e três empresas sediadas em São Paulo suspeitas de integrar um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). A decisão marca um ponto de inflexão na guerra contra o crime organizado: Washington agora considera a facção paulista a maior organização criminosa do Ocidente.

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Símbolo de facção criminosa em comunidade: PCC agora é alvo de sanções internacionais dos EUA

Os principais alvos das sanções são Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Segundo o Tesouro americano, Shimada atuava como principal elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais, tendo lavado mais de US$ 30 milhões (R$ 156 milhões) oriundos de atividades criminosas em diversas cidades americanas por meio de transferências em criptomoedas.

A estrutura empresarial utilizada para ocultar a origem dos recursos ilícitos incluía a Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda., a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda. e a Wave Construções Inteligentes Ltda., todas sediadas em São Paulo. Segundo o Tesouro, as empresas eram utilizadas para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras e dificultar a identificação da origem dos recursos.

Impacto em São Paulo e Zona Noroeste: A operação reforça a pressão internacional sobre o PCC, que tem forte presença em bairros como Perus, Anhanguera e Jaraguá. Com 13 mil membros apenas em São Paulo e faturamento estimado em R$ 5,6 bilhões anuais, a facção controla rotas de tráfico que afetam diretamente a segurança nas periferias e nas principais vias de mobilidade da região — Linha 7-Rubi, Rodovia Anhanguera e Bandeirantes.

Stella, apontada como colaboradora próxima de Shimada, atuava como sua secretária e auxiliava na retirada de grandes quantias, prestando suporte logístico às operações de lavagem. O Departamento do Tesouro afirma que o PCC representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos Estados Unidos, com integrantes atuando em território americano, especialmente na Flórida, para lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

Em janeiro deste ano, o FBI prendeu seis integrantes da célula da organização baseada na Flórida, que posteriormente foram denunciados por lavagem de dinheiro perante a Justiça Federal americana. As sanções anunciadas agora miram a estrutura financeira da organização instalada no Brasil.

A decisão americana foi adotada com base em duas ordens executivas: a 14059, que tem como objetivo combater a produção e proliferação de drogas; e a 13224, que autoriza sanções contra pessoas ou organizações consideradas terroristas. Tanto o PCC quanto o CV (Comando Vermelho) foram designados como terroristas no fim de maio por Washington.

As sanções determinam o bloqueio de todos os bens e interesses patrimoniais dos alvos que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos. Além disso, empresas e pessoas dos EUA ficam proibidas de realizar transações com os sancionados, enquanto instituições financeiras estrangeiras que mantenham negócios relevantes com eles também poderão ser alvo de sanções.

Esta é a terceira vez que o Ofac (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros) adota medidas contra o PCC. A facção foi sancionada pela primeira vez em dezembro de 2021 por envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Em março de 2024, o órgão também aplicou sanções contra Diego Macedo Gonçalves do Carmo, apontado como operador financeiro da organização.

Destaques do Conhecimento

  • PCC é agora classificado pelos EUA como a maior organização criminosa do Ocidente
  • Dois brasileiros e três empresas de São Paulo foram sancionados por lavagem de dinheiro
  • Victor Shimada lavou mais de R$ 156 milhões em operações entre EUA e Brasil
  • O PCC fatura aproximadamente R$ 5,6 bilhões anuais com tráfico, roubos e sequestros
  • Presença confirmada em 24 estados brasileiros, com 13 mil membros apenas em São Paulo
  • Sanções bloqueiam bens nos EUA e proíbem transações com os alvos

Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online