Desistências de Paulo Serra e Kim Kataguiri abrem caminho para eleição histórica em São Paulo. Apenas dois candidatos de partidos com representação na Câmara devem disputar o governo estadual, cenário que pode resultar na definição do pleito já na primeira votação.
A saída de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes redesenha completamente o mapa eleitoral paulista. Com faltando menos de um mês para as convenções partidárias, o cenário que emerge é de uma disputa polarizada entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), ambos com potencial para vencer já no primeiro turno.
Especialistas em política ouvidos pela reportagem alertam para um risco significativo: a nacionalização do debate eleitoral. Sem a presença de terceiros candidatos competitivos, questões cruciais para o estado — como segurança pública, transporte e privatização da Sabesp — podem ficar fora das discussões de campanha. Para os paulistanos da Zona Noroeste, especialmente aqueles que dependem da Linha 7-Rubi da CPTM e das Rodovias Anhanguera e Bandeirantes, essa ausência de pluralidade pode significar menos atenção aos problemas locais de mobilidade e infraestrutura.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/d/G/KPLXihRkKqxiHYWMSxTg/marcio-franca-g1-entrevista-img-6535-fabio-tito.jpg)
Diante desse cenário, o PSB negocia o lançamento de Márcio França como terceira opção. O ex-ministro das Micro e Pequenas Empresas busca convencer lideranças petistas de que sua candidatura pode levar a disputa para o segundo turno, evitando uma vitória esmagadora de Tarcísio. França já começou a sinalizar uma possível dobradinha com Haddad nas redes sociais, criticando o governador em postagens sobre segurança pública.
Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ressalta que desde 1982, quando Franco Montoro foi eleito com o voto direto restaurado, São Paulo sempre teve pelo menos três ou quatro candidatos realmente competitivos. “Essa polarização estadual é inédita e traz um risco de nacionalização do debate que pode deixar os problemas de São Paulo de fora das discussões eleitorais no estado”, afirma.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/H/n/JUrb7ISBCxS7UxE2oQOA/marcio-franca-tarcisio.jpg)
Pesquisas recentes mostram Tarcísio com 38% das intenções de voto contra 26% de Haddad. Hilton Fernandes, do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), explica que “a tendência é que a eleição no estado de São Paulo seja decidida no primeiro turno, pois não há uma terceira opção visível para o eleitor neste momento”.
A definição da eleição paulista no primeiro turno pode ter impactos diretos na disputa presidencial. Com Tarcísio reeleito, sua presença institucional pode alavancar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no estado, que é o maior colégio eleitoral do país. Porém, uma vitória antecipada também pode elevar abstenções no segundo turno presidencial, já que eleitores cansados da polarização podem não comparecer às urnas.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/w/M/tc8wgXTg6gLc9oMCEcw/fotojet-2026-06-22t145128.681.jpg)
Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, aponta que a entrada de Márcio França poderia trazer uma novidade interessante, já que ele não é do PT e pode ter menos rejeição no interior do estado, onde o antipetismo é forte. “Mas pouco se tem de evidência de que parte do eleitor e da elite possam migrar de voto e a coisa não ser resolvida também no 1º turno”, alerta.
Para os paulistanos, especialmente os da Zona Noroeste que enfrentam desafios diários de mobilidade e segurança, a ausência de debate sobre temas estaduais é preocupante. Questões como a qualidade do transporte público, a segurança nas ruas e a infraestrutura local podem ficar secundárias em uma campanha dominada por temas nacionais.
Destaques do Conhecimento
- Desistências de Paulo Serra e Kim Kataguiri deixam apenas Tarcísio (Republicanos) e Haddad (PT) como candidatos competitivos entre partidos com representação na Câmara
- Especialistas apontam risco de nacionalização do debate, deixando problemas estaduais fora das discussões eleitorais
- PSB estuda lançar Márcio França como terceira opção para forçar segundo turno e evitar vitória esmagadora de Tarcísio
- Pesquisas mostram Tarcísio com 38% e Haddad com 26% das intenções de voto
- Eleição definida no primeiro turno pode impactar disputa presidencial e mobilização de eleitores
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online


































