Bilhetes encontrados em cela de presídio do interior de SP em 2019 revelaram esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A operação que prendeu a advogada e influenciadora Deolane Bezerra começou há sete anos e conecta a cúpula da facção a empresas de fachada na região metropolitana de São Paulo.
A Operação Vérnix, deflagrada nesta quinta-feira (21), levou à prisão de Deolane Bezerra, 38, sob suspeita de participar de esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital). Mas a investigação começou muito antes, em julho de 2019, quando agentes de segurança encontraram bilhetes manuscritos em uma cela da Penitenciária II, em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

Os bilhetes foram descobertos na caixa de esgoto da cela de dois detentos: Sharlon Praxedes da Silva (Maradona) e Gilmar Pinheiro Feitoza (Cigano). Após análise, a polícia identificou negociações de tráfico de drogas, relacionamentos com a cúpula do PCC e até um plano de atentado contra agentes públicos, incluindo o então diretor da unidade, Luiz Fernando Negrão Bizzoto.
Um dos bilhetes cobrava a execução do plano e descrevia: “aquela mulher da transportadora já entregou tudo certinho até o endereço novo do Bizzoto”. Essa pista levou os investigadores a descobrir a transportadora Lado a Lado, com sede ao lado do presídio.
A investigação revelou que a empresa, apesar de estar no nome do casal Ciro Cesar Lemos e Elidiane Saldanha Lopes Lemos, foi criada pelo próprio PCC e é dirigida por Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) e seu irmão Alejandro. No período investigado, a transportadora movimentou mais de R$ 20 milhões, valor considerado incompatível com as receitas declaradas.

Segundo a polícia, Deolane recebia repasses diretos dessa transportadora em sua conta bancária. A ligação dela com o esquema foi identificada através de Everton de Souza (Player), apontado como gestor indireto da Lado a Lado. A quebra de sigilo bancário demonstrou que a influenciadora movimentou milhões em nome do PCC, emprestando sua estrutura financeira e “aparente respeitabilidade social” para colocar dinheiro do crime organizado no sistema financeiro formal.
Everton também foi preso nesta quinta-feira. A polícia encontrou em sua residência uma caixa com dinheiro em nome de Deolane. Um celular apreendido em operação anterior tinha conversas via Telegram que mostravam como o esquema funcionava: Marcola determinava as providências e estratégias, enquanto seu irmão Alejandro dirigia a empresa e determinava a compra de caminhões.
Paloma Camacho, filha de Alejandro e sobrinha de Marcola, foi presa na Espanha. Ela recebia as ordens do pai em visitas ao sistema penitenciário federal e repassava a Ciro, controlando também a divisão dos lucros destinados ao pai. O irmão dela, Leonardo Camacho, recebia 30% dos valores por ordem do pai.
O casal Ciro e Elidiane, proprietários legais da transportadora, já foi condenado na Justiça e é considerado foragido. De acordo com a polícia, estão escondidos na Bolívia.
Destaques do Conhecimento
- Operação começou em 2019 com descoberta de bilhetes em cela de presídio do interior de SP
- Transportadora Lado a Lado movimentou mais de R$ 20 milhões em período investigado
- Deolane recebia repasses diretos da empresa suspeita de pertencer ao PCC
- Marcola e seu irmão Alejandro dirigiam a empresa de fachada
- Deolane já havia sido presa em 2024 em operação contra jogos ilegais e lavagem de dinheiro
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































