Senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro é formalmente investigado no STF por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção no financiamento do filme 'Dark Horse'. A decisão, tomada em julho, apura possível desvio de recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bilionária.
O senador pelo PL-RJ tornou-se alvo formal de inquérito no Supremo Tribunal Federal que investiga a produção do filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente preso por liderar tentativa de golpe de Estado. A decisão partiu do ministro André Mendonça em 22 de julho, a pedido da Polícia Federal.
A PF solicita apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e delitos correlatos no contexto do financiamento cinematográfico junto ao Banco Master. Flávio negociou diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 122,7 milhões) para a produção.

Deste montante, foram pagos efetivamente no mínimo US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 62,9 milhões), segundo documentos da investigação. Vorcaro está preso, investigado por fraude bilionária contra o sistema financeiro brasileiro, orquestrada por meio de sua instituição, o Banco Master.
Relatórios da PF apontam Flávio como “interlocutor direto” de Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento, incluindo cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações. Mensagens trocadas entre os dois indicam provável encontro presencial em agosto de 2025, durante as negociações.
O documento também aponta participação de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, e seu advogado Paulo Calixto na estruturação financeira das transações. Investigadores suspeitam que parte do dinheiro arrecadado para o filme tenha sido usada para bancar despesas de Eduardo, que atualmente vive nos Estados Unidos.
Nesta quinta-feira (10), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte dos processos do caso Master em resposta a pedido do presidente da corte, Edson Fachin. O despacho inclui a petição que é base da investigação e procedimentos derivados dela.
Também nesta quinta, a Polícia Federal realizou operação autorizada pelo ministro Flávio Dino sobre o filme, apurando possível desvio de R$ 750 mil da produção, além de uso de verba pública. Entre os alvos está o deputado Mário Frias (PL-SP), que teria enviado R$ 2 milhões em emendas parlamentares para ONG presidida por Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment.
Flávio Bolsonaro chamou a operação de “fajuta” e afirmou que faltam 24 dias para a eleição. “Eles precisam inventar alguma coisa contra mim”, disse. Procurado pela Folha, o senador não respondeu diretamente, mas em entrevista em Manaus defendeu que Mendonça “tire sigilo de tudo”, argumentando que a transparência confirmaria que “não tem nada de errado em relação ao filme”.
Destaques do Conhecimento
- Flávio Bolsonaro é investigado formalmente no STF por suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção no financiamento do filme 'Dark Horse'
- Negociou repasse de pelo menos US$ 24 milhões (R$ 122,7 milhões) com ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bilionária
- Foram pagos efetivamente no mínimo US$ 12,3 milhões (R$ 62,9 milhões) segundo documentos da investigação
- PF aponta participação de Eduardo Bolsonaro e advogado Paulo Calixto na estruturação financeira das transações
- Operação da PF também investiga possível desvio de R$ 750 mil e uso de verba pública no filme
- Deputado Mário Frias (PL-SP) é alvo por ter enviado R$ 2 milhões em emendas parlamentares para ONG ligada à produtora
Fonte original: Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































