Após sete anos de espera, Justiça de SP marca julgamento de 12 PMs acusados de matar nove jovens em baile funk. Decisão abre caminho para júri popular analisar ação policial que deixou vítimas pisoteadas em Paraisópolis.
A 1ª Vara do Júri do Foro Central Criminal de São Paulo confirmou, nesta segunda-feira (17), que os 12 policiais militares acusados pelas mortes de nove jovens em Paraisópolis serão julgados pelo Tribunal do Júri. A juíza Ana Luisa Marcondes Esteves rejeitou todos os pedidos preliminares das defesas que buscavam anular o processo.
O caso remonta à madrugada de 1º de dezembro de 2019, quando a Polícia Militar realizava a chamada Operação Pancadão na comunidade. Segundo a denúncia do Ministério Público, os agentes bloquearam as saídas da Rua Ernest Renan e utilizaram cassetetes, armas de elastômero, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo durante a intervenção.
A ação provocou pânico entre os frequentadores do baile funk conhecido como Baile da DZ7. A multidão foi conduzida para a Viela do Louro, onde ocorreu o esmagamento das vítimas. Oito dos nove mortos faleceram por asfixia mecânica por sufocação indireta. Um deles morreu por traumatismo raquimedular.
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As vítimas foram Bruno Gabriel dos Santos, Denys Henrique Quirino Silva, Dennys Guilherme dos Santos França, Eduardo da Silva, Gabriel Rogério de Moraes, Gustavo Cruz Xavier, Luara Victória Oliveira, Marcos Paulo Oliveira dos Santos e Mateus dos Santos Costa. Nenhum deles morava em Paraisópolis.
Além das nove mortes, duas pessoas ficaram feridas. Miryan de Araújo Macário sofreu lesões por munição de impacto, enquanto Giovanna Ferraz da Silva teve ferimentos no rosto causados por estilhaços de garrafas.
Os policiais serão julgados por nove homicídios qualificados e crimes de lesão corporal. A decisão manteve as qualificadoras de motivo torpe e perigo comum, que serão analisadas pelos jurados. Os acusados poderão recorrer em liberdade, já que a juíza considerou que não estão presentes os requisitos para prisão preventiva.
A defesa dos policiais apresenta versão diferente. Os agentes afirmam que a intervenção começou após relatos de disparos feitos por ocupantes de uma motocicleta e que houve hostilidade da multidão. Negam que tenham bloqueado deliberadamente as rotas de fuga e sustentam que atuaram em situação emergencial.
Na decisão, a juíza afirmou que a pronúncia não significa que a versão da acusação esteja definitivamente comprovada. Caberá ao Tribunal do Júri analisar as circunstâncias da ação e decidir se os policiais assumiram o risco de produzir as mortes.
Destaques do Conhecimento
- Justiça de SP confirmou julgamento de 12 PMs acusados de matar nove jovens em Paraisópolis em dezembro de 2019
- Ação policial provocou pânico e esmagamento de vítimas na Viela do Louro durante baile funk
- Policiais serão julgados por homicídios qualificados e lesão corporal; poderão recorrer em liberdade
Fonte original: G1 São Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online







































