Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no Amapá. A presidente da estatal afirma estar “extremamente otimista” com os resultados, mas ainda não sabe o volume exato de óleo na região. A descoberta reforça a estratégia brasileira de garantir soberania energética.
A Petrobras confirmou nesta segunda-feira (17) a presença de petróleo no poço Morpho, localizado na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A presidente da estatal, Magda Chambriard, participou de um evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para anunciar oficialmente a descoberta, que marca um passo importante na busca por novas reservas de óleo no país.

Segundo Chambriard, a exploração do poço deve ser concluída nos próximos 15 a 20 dias. “Tem petróleo e descoberta, a gente ainda não sabe quanto, mas estamos extremamente otimistas com o que estamos encontrando aqui”, declarou a executiva. A Petrobras planeja perfurar mais três poços na mesma região e outros cinco em áreas adjacentes para avaliar o potencial real da bacia.
A descoberta ocorre em um contexto estratégico importante para o Brasil. O pré-sal, principal fonte de petróleo do país, deve atingir seu pico de produção entre 2034 e 2035. Após esse período, a produção tenderá a cair, tornando essencial a reposição de reservas para manter o Brasil entre os dez maiores produtores de petróleo do planeta. “Hoje nós produzimos 80% do petróleo do Brasil do pré-sal. Esse pré-sal vai ter um pico de produção mais ou menos em torno de 2034, 2035 e, a partir daí, nós precisamos repor reservas”, explicou Chambriard.
O poço Morpho está localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em profundidade de 2.886 metros. A Petrobras é operadora com 100% de participação no bloco FZA-M-59, adquirido na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) em 2013.
O processo de licenciamento foi marcado por controvérsias. A área técnica do Ibama recomendou o arquivamento do processo, mas a licença foi concedida em outubro de 2025, sob pressão do presidente Lula, às vésperas da COP30 em Belém. A decisão gerou críticas de organizações ambientalistas que apontam contradição com alertas científicos sobre a redução do uso de combustíveis fósseis.
Lula defendeu a decisão durante o evento. “Quando aconteceu a COP no ano passado, muita gente queria que eu não declarasse que tinha conquistado a licença, diziam que os europeus iam ficar chateados. Eu tomei a decisão de anunciar antes da COP que a gente queria fazer a proteção aqui”, afirmou o presidente, segurando um frasco com amostra de óleo.
O presidente também ressaltou o compromisso ambiental do estado. “Vamos continuar cuidando do meio ambiente, 87% deste estado é reserva e 90% deste território está com floresta praticamente intocada”, disse Lula.
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, classificou a descoberta como histórica. “O Brasil dá um passo importantíssimo para garantir a sua soberania energética. Nenhum brasileiro pode abrir mão de sua soberania e de suas riquezas naturais para combater miséria e garantir desenvolvimento”, declarou.
A região da Foz do Amazonas é considerada a principal fronteira para novas descobertas de petróleo no Brasil. O interesse foi impulsionado também por descobertas recentes na Guiana, que possui características geológicas similares. O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), que representa companhias como Petrobras, ExxonMobil, TotalEnergies, Shell e Equinor, avaliou que a descoberta reforça as perspectivas do Brasil para produção de petróleo e gás e a segurança energética nacional.
Destaques do Conhecimento
- Petrobras confirma presença de petróleo no poço Morpho, na Foz do Amazonas, mas ainda não sabe o volume exato
- Exploração deve ser concluída em 15 a 20 dias, com mais três poços previstos na região e cinco em áreas adjacentes
- Descoberta é estratégica para reposição de reservas, já que o pré-sal deve atingir pico de produção entre 2034-2035
- Licenciamento foi controverso, com recomendação de arquivamento pela área técnica do Ibama antes da aprovação
- Região mantém 87% de área protegida e 90% de floresta praticamente intocada, segundo o governo
Fonte original: UOL/Folha de S.Paulo | Adaptação: Equipe Perus Online








































