O levantamento, realizado entre os dias 7 e 9 de abril de 2026, ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais. Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa mostra ainda que 75% dos entrevistados acreditam que a confiança no STF diminuiu em relação ao passado.
Crítica ao STF atravessa espectros políticos
A avaliação de que os ministros do Supremo têm poder além do necessário é majoritária em diferentes grupos políticos. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022, 88% compartilham essa visão. Entre os que votaram no presidente Lula (PT), o percentual é menor, mas ainda expressivo: 64%. Entre eleitores que votaram branco, nulo ou em nenhum candidato, 67% também afirmam que há excesso de poder na corte.
Os dados indicam que a crítica ao STF não está restrita a um único campo político, mas se espalha por diferentes segmentos da sociedade, incluindo moradores de periferias como Perus, que enfrentam impactos diretos de decisões judiciais sobre políticas sociais e segurança pública.
Supremo permanece como pilar democrático apesar das críticas
Apesar das críticas, a maioria dos brasileiros reconhece o papel institucional do STF. Entre os eleitores de Lula, 84% consideram que a corte é essencial para a democracia. Entre os eleitores de Bolsonaro, o índice também é significativo, atingindo 60%. Já entre os que não votaram em nenhum candidato, 73% compartilham dessa avaliação.
Esse contraste evidencia uma percepção ambivalente: ao mesmo tempo em que o Supremo é visto como necessário para a estabilidade democrática, sua atuação é alvo de crescente questionamento.
Contexto de crise institucional
A pesquisa ocorre em um contexto de forte exposição do STF no debate público, intensificado desde o julgamento do mensalão e ampliado por decisões de grande impacto político. Entre os episódios recentes que colocaram a corte no centro das atenções estão os desdobramentos da Lava Jato, o rito do golpe de Estado contra Dilma Rousseff, a anulação das condenações do presidente Lula, a atuação durante a pandemia de Covid-19 e os julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe.
Nos últimos anos, medidas consideradas heterodoxas — como o inquérito das fake news — também contribuíram para o protagonismo e, ao mesmo tempo, para o desgaste da imagem do tribunal. Mais recentemente, suspeitas envolvendo ministros e o escândalo do Banco Master ampliaram a pressão sobre a corte, reforçando cobranças por maior transparência e adoção de um código de ética.
STF no centro da disputa política de 2026
O Supremo deve permanecer no centro do debate político nos próximos meses, especialmente nas eleições para o Senado. Aliados de Jair Bolsonaro articulam campanhas com foco em obter maioria suficiente para avançar em propostas de impeachment de ministros da corte. Paralelamente, juristas e setores da sociedade civil defendem reformas no funcionamento do STF, incluindo a limitação de decisões monocráticas e a adoção de regras mais rígidas de governança.
Para eleitores de Perus e São Paulo, essas mudanças podem impactar políticas de segurança pública, direitos sociais e acesso à justiça que afetam diretamente a vida na periferia.
Destaques da Matéria
- 75% dos brasileiros acreditam que ministros do STF têm poder excessivo, enquanto 71% ainda veem a corte como essencial para a democracia
- Crítica ao Supremo é transversal: 88% dos eleitores de Bolsonaro, 64% dos eleitores de Lula e 67% dos que votaram branco/nulo compartilham a percepção de excesso de poder
- Eleições de 2026 devem manter STF no centro do debate político, com propostas de impeachment de ministros e reformas institucionais em discussão
Conteúdo original: Brasil 247 | Adaptação e Curadoria: Equipe Perus Online






































