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sábado 7 março 2026 | 11:21

PF responde STF no caso Master; agentes relatam surpresa com críticas de Toffoli

**PF responde STF no caso Master; agentes relatam surpresa com críticas de Toffoli**
Corporação afirma que prestou esclarecimentos no prazo de 24 horas nos autos
14/01/2026 | 16h56
Por Cleber Lourenço
As críticas feitas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli à atuação da Polícia Federal na operação Compliance Zero causaram surpresa, perplexidade e incômodo entre integrantes da corporação, segundo relatos colhidos pela reportagem. O tom adotado pelo relator nos despachos, com referências a “inércia exclusiva” e “inobservância expressa e deliberada” de ordens judiciais, foi recebido internamente como um endurecimento inesperado do Supremo em relação à condução do caso.
De acordo com membros da Polícia Federal ouvidos pela reportagem, o espanto decorre do fato de que a deflagração da operação nesta quarta-feira (14) só ocorreu após um segundo movimento da própria corporação junto ao STF, com a apresentação de novos pedidos e fundamentos. Na avaliação interna, esse histórico contrasta com a leitura registrada posteriormente nos despachos, que apontam falta de empenho ou demora injustificada no cumprimento das ordens judiciais.
Fontes da Polícia Federal destacam que essa insistência está expressamente registrada nos autos. Em despacho assinado em 13 de janeiro, ao analisar novo requerimento da autoridade policial, reforçado por manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), Toffoli registra de forma literal: “Diante das ponderações da Autoridade Policial e da Procuradoria-Geral da República, reconsidero, em parte, a decisão combatida, para deferir novas diligências na residência do investigado (…), que deverão ser cumpridas em conjunto com as demais diligências anteriormente deferidas, na data de amanhã (14.01.2026), a partir das 06:00 horas”.
Para integrantes da PF, a expressão “reconsidero, em parte, a decisão combatida” evidencia que a diligência específica não havia sido autorizada no primeiro momento e só foi deferida após novo pedido formal da Polícia Federal, acompanhado de elementos adicionais. O próprio despacho registra que a nova solicitação se baseou na indicação de fatos supervenientes e na necessidade de colheita de elementos probatórios complementares.
A decisão também deixa explícito o papel da Procuradoria-Geral da República nesse processo de ampliação das diligências. No despacho, Toffoli menciona manifestação favorável da PGR no sentido de que a diligência anterior não havia abrangido “o contexto mais amplo que a apuração em espécie busca examinar”, sendo necessária nova busca para a obtenção de documentos, registros, mídias e dispositivos eletrônicos capazes de permitir a identificação de outros agentes e a delimitação de suas condutas.
**Registros documentais**
Na avaliação de membros da corporação, esse conjunto de registros documentais demonstra que a atuação da Polícia Federal foi contínua e insistente, com a apresentação de novos requerimentos devidamente fundamentados, e que a autorização para determinadas diligências decorreu de reconsideração expressa do relator, e não de inércia investigativa.
Procurada, a assessoria da Polícia Federal informou que a instituição respondeu aos questionamentos feitos pelo ministro Dias Toffoli dentro do prazo de 24 horas estabelecido pelo STF. Segundo a PF, os esclarecimentos foram prestados diretamente nos autos da Petição 15.198, que tramita sob sigilo no Supremo. A corporação, no entanto, afirmou que não divulgará o teor da manifestação encaminhada ao ministro.
A reportagem também procurou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para obter um posicionamento pessoal sobre as críticas formuladas por Toffoli e sobre a condução da operação. Até o fechamento deste texto, não houve retorno.
Nos bastidores, integrantes da PF relatam que as críticas do relator causaram incômodo adicional por terem sido feitas após a ampliação das diligências autorizadas pelo próprio STF, em razão de novo pedido da autoridade policial e de parecer favorável da PGR. Para esses interlocutores, o conteúdo dos despachos revela um processo de revisão parcial de decisões anteriores, documentado nos autos.
As críticas do ministro vieram acompanhadas de decisões que ampliaram o controle do Supremo sobre a operação. Toffoli determinou que todo o material apreendido fosse lacrado e mantido sob custódia direta do STF e ordenou que o diretor-geral da Polícia Federal prestasse esclarecimentos formais à Corte sobre o descumprimento do prazo inicialmente fixado para o cumprimento das diligências.
A operação Compliance Zero foi deflagrada contra o Banco Master e investigados ligados ao grupo financeiro após uma sequência de decisões do Supremo que autorizaram bloqueio e sequestro de bens, buscas e apreensões, buscas pessoais em aeroportos e prisão temporária por prazo curto. Além do avanço da investigação, o caso passou a evidenciar um raro atrito institucional entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal, exposto de forma explícita nos próprios despachos do relator.
Fonte: ICL Notícias Link: iclnoticias.com.br/pf-responde-stf-master-agentes-criticas-toffoli/