Cuba vive um apagão generalizado, afetando praticamente todos os seus 11 milhões de habitantes. Nesta segunda-feira, o governo informou que o sistema nacional de eletricidade foi “desconectado”, aprofundando a crise que já abala a ilha diante do embargo imposto por Donald Trump.
Ainda que o racionamento de energia esteja sendo constante, o episódio desta semana foi considerado como generalizado. Nas redes sociais, o Ministério de Energia de Cuba informou que a crise era completa.
“Ocorreu uma desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (SEN). As causas estão sendo investigadas e os protocolos para o restabelecimento da energia estão sendo ativados”, explicou o governo nas plataformas digitais.
Segundo fontes diplomáticas na ilha, a falta de combustível, falta de peças de reparação e recursos vêm impedindo a manutenção da rede elétrica.
Em um ano e meio, esse é o sexto episódio de apagão. Mas, de acordo com moradores de Havana que conversaram com o ICL Notícias graças a geradores instalados de forma privada em raras residências, poucas vezes houve um registro completo de uma desconexão de todos os bairros, cidades e províncias.
Na semana passada, para a surpresa de diplomatas latino-americanos, o governo de Cuba admitiu que estava em negociações com a Casa Branca. Não houve detalhamento da pauta. Mas, do lado de Washington, a mensagem é clara: o governo de Havana precisa abandonar o poder.
Trump chegou a dizer que a queda do socialismo na ilha era apenas uma questão de tempo e o secretário de Estado, Marco Rubio, falou abertamente na vontade de ver uma “mudança de regime”.
Nos últimos meses, o americano ampliou de forma intensa as sanções contra Cuba, assim como contra todos os países que vendam petróleo para Havana. A avaliação do governo Lula é de que existe um risco real de uma crise humanitária e mesmo um êxodo de cubanos.
Na semana passada, foi a vez de a ONU soar um alerta diante da situação humanitária em Cuba e fez um apelo para que o governo Trump retire as sanções e bloqueios contra a ilha.
“Estamos extremamente preocupados com o aprofundamento da crise socioeconômica em Cuba, em meio a décadas de embargo financeiro e comercial, eventos climáticos extremos e as recentes medidas dos EUA que restringem as exportações de petróleo. Isso está tendo um impacto cada vez mais severo sobre os direitos humanos da população cubana”, afirmou a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, Marta Hurtado.
Derrubar o governo cubano passou a ser um dos objetivos da Casa Branca na América Latina. Para isso, Trump intensificou o bloqueio e impediu que petróleo venezuelano chegue até a ilha. A esperança dos EUA é a de estrangular a economia cubana e, assim, permitir um levante popular.
Para a ONU, a situação é crítica. “Dada a dependência dos sistemas de saúde, alimentação e água em combustíveis fósseis importados, a atual escassez de petróleo colocou em risco a disponibilidade de serviços essenciais em todo o país”, alertou a porta-voz.
Segundo a entidade, unidades de terapia intensiva e salas de emergência estão comprometidas, assim como a produção, distribuição e armazenamento de vacinas, hemoderivados e outros medicamentos sensíveis à temperatura.
A ONU avalia que, em Cuba, mais de 80% dos equipamentos de bombeamento de água dependem de eletricidade, e os cortes de energia estão prejudicando o acesso à água potável, saneamento básico e higiene.
“A escassez de combustível interrompeu o sistema de racionamento e a cesta básica de alimentos regulamentada, e afetou as redes de proteção social — alimentação escolar, maternidades e asilos — com os grupos mais vulneráveis sendo desproporcionalmente impactados”, disse.
Autor: Jamil Chade Data: 16/03/2026







































