Lideranças da oposição no Congresso Nacional negam que exista qualquer acordo para trocar o avanço do projeto da dosimetria das penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro pelo esfriamento da CPMI do caso Master. A avaliação predominante entre esses parlamentares é que as especulações fazem parte de uma estratégia política para pressionar e dividir a base conservadora.
Segundo integrantes da oposição ouvidos pela reportagem, a circulação da tese de um “acordão” seria interpretada como uma série de “recados” atribuídos ao entorno do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A leitura é que a divulgação dessas versões serviria para testar a disposição da oposição e medir o custo político de manter a comissão de investigação em evidência.
Para esses parlamentares, ao associar a pauta da dosimetria à instalação da CPMI do Banco Master, cria-se um ambiente de constrangimento público e suspeição interna. “É uma forma de tentar comprar a oposição pelo desgaste”, resume um congressista.
Na Câmara, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), reagiu com dureza à hipótese de negociação. “Sem chance nenhuma”, afirmou. Em seguida, foi ainda mais direto: “Fakenews”.
Sóstenes acrescentou que o partido segue concentrado na derrubada do veto presidencial relacionado à redução de penas, mas descartou qualquer vinculação com a comissão de investigação. “O PL continua focado na derrubada do veto da redução de penas, mas jamais vai negociar pela não instalação da CPMI do Banco Master. Esse escândalo precisa ser passado a limpo”, disse.
Questionado especificamente se a notícia poderia ter partido do grupo político ligado a Alcolumbre, o líder do PL não descartou a hipótese. “Talvez seja”, respondeu.
No Senado, o autor de um dos pedidos de CPI sobre o Banco Master, senador Eduardo Girão (Novo-CE), também rejeitou qualquer composição. “Não estou sabendo, mas a minha pressão não vai diminuir. Absolutamente. Se depender de mim, fins jamais justificarão os meios”, afirmou.
Girão também afirmou que “o escândalo do Master é o maior do sistema financeiro brasileiro, envolve gente poderosa e temos o dever de ir a fundo, pois a população tem o direito de saber quem são. O Brasil precisa que todos os responsáveis sejam punidos legitimamente de acordo com a lei. Nenhum eventual ‘acordão’ pode sabotar a Justiça para todos”.
A disputa em torno da dosimetria e da CPMI do Master deve se consolidar como um dos principais focos de tensão no Congresso. De um lado, parlamentares pressionam para revisar penas relacionadas aos atos criminosos de 8 de janeiro. De outro, cresce a mobilização para investigar o caso envolvendo o Banco Master. No centro desse embate, a acusação de “acordão” virou instrumento de disputa política e teste de forças entre oposição e comando do Senado.
Publicado em: 23/02/2026 às 16h01 Fonte: ICL Notícias








































