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segunda-feira 9 março 2026 | 14:34

Hugo Motta tenta conter crise sobre PL Antifacção apelidado de ‘PL das Milícias’

Hugo Motta tenta conter crise sobre PL Antifacção apelidado de ‘PL das Milícias’
Presidente da Câmara tenta conter desgaste e sinaliza ajustes no texto de Derrite após reação da PF e do Ministério da Justiça
11/11/2025 | 15h05
Por Cleber Lourenço
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tentou nesta terça-feira (11) conter o desgaste causado pela repercussão negativa do relatório do deputado Guilherme Derrite (PL-SP) sobre o chamado PL Antifacção — apelidado nos bastidores de “PL das Milícias”.
O texto, apresentado com seu aval, foi criticado por enfraquecer a Polícia Federal, retirar sua competência para investigar crimes de terrorismo e ampliar o poder das polícias estaduais, vistas como mais suscetíveis à influência política e miliciana.
Antes da reunião do colégio de líderes, Motta tentou, em conversa com jornalistas, afastar a ideia de que o Congresso pretende esvaziar a PF.
“A Câmara não permitirá, em nenhum momento, que a Polícia Federal perca suas prerrogativas. Isso é inegociável”, afirmou.
“O relator já conversou com o diretor-geral da PF, e o ministro Ricardo Lewandowski deve apresentar sugestões de aperfeiçoamento ainda hoje. Queremos um texto mais apurado e que caminhe bem na Câmara e no Senado, até chegar à sanção”, completou.
Motta sustentou ainda que o Parlamento não aprovará medidas que coloquem em risco a soberania nacional.
“Não permitiremos que nenhuma proposta coloque em risco a soberania. Queremos endurecer as penas, mas sem ameaçar a integridade das nossas instituições”, disse.
O tom mais cuidadoso é visto como uma tentativa de distanciar-se da condução desastrosa do relator e de neutralizar a imagem de que a Câmara estaria produzindo uma legislação de conveniência para milícias e facções.
Motta tenta retomar controle da pauta
Nos bastidores, aliados de Motta afirmam que ele se assustou com a reação em cadeia uma vez que a PF divulgou nota pública demonstrando preocupação com as mudanças, o Ministério da Justiça fez chegar ao Congresso que considerava o texto inconstitucional e a imprensa nacional consolidou o apelido de “PL das Milícias”.
O episódio virou um problema político de grandes proporções e obrigou Motta a agir para preservar sua própria imagem.
“Queremos, até o final do dia, uma proposta mais apurada para apresentar à sociedade e que possa caminhar bem tanto na Câmara quanto no Senado”, reiterou Motta, reforçando a expectativa de ajustes.
A declaração, na prática, adia a votação e abre espaço para que o governo e a PF redesenhem os trechos mais problemáticos. O objetivo é evitar uma derrota em plenário e reduzir o impacto da crise criada por Derrite.
A leitura dentro da Câmara é de que Motta tenta agora reassumir o controle político da pauta e apagar o incêndio causado por sua própria escolha de relator. O presidente, que apostava em um projeto de endurecimento penal para agradar parte da base conservadora, se viu obrigado a mudar de rota após o tema se tornar munição contra ele.
O episódio mostra a dificuldade do Congresso em lidar com pautas de segurança sem respaldo técnico e mostra que, ao tentar enfrentar o crime organizado no discurso, a Câmara acabou abrindo uma crise institucional.
Ao fim, o PL Antifacção virou o retrato de um erro político: uma tentativa de endurecimento que se transformou em constrangimento. Motta tenta agora reorganizar o jogo e recuperar o controle de uma pauta que, nas últimas 48 horas, deixou de estar sob seu comando.
Fonte: ICL Notícias Link: iclnoticias.com.br/hugo-motta-tenta-conter-crise-pl-antifaccao/