O que são teologias apocalípticas e por que elas crescem?
Você já reparou que em momentos de grande instabilidade, como crises políticas, pandemias ou desastres ambientais, discursos sobre o “fim do mundo” parecem se multiplicar? A cineasta Petra Costa, em entrevista sobre seu novo documentário “Apocalipse nos Trópicos”, explica que isso não é coincidência.
Essas ideias, conhecidas como “teologias apocalípticas”, encontram um terreno fértil no medo e na incerteza. Elas oferecem uma explicação simples para problemas complexos: o mundo como o conhecemos está acabando para dar lugar a algo novo, uma espécie de “revelação”.
A origem da “Teologia do Desespero”
Segundo Petra Costa, a interpretação literal do livro do Apocalipse, que divide o fim dos tempos em fases, não é tão antiga quanto parece. Ela surgiu com um pastor que, infeliz com o Iluminismo (movimento que valorizava a razão e a ciência), propôs uma nova leitura da Bíblia.
Essa visão, muitas vezes chamada de “teologia do desespero”, ganhou força e hoje influencia a forma como muitas pessoas veem o mundo. A ideia principal é que, para um novo mundo surgir, é preciso eliminar o “inimigo”, o que abre espaço para a intolerância.
Como isso afeta a política no Brasil?
No Brasil, essas ideias têm um impacto direto na política. A cineasta conta que teve um “clique” sobre o tema durante a pandemia de Covid-19, ao ver líderes religiosos tratando a crise sanitária como um sinal da volta de Jesus.
Essa mentalidade, segundo ela, ajuda a explicar fenômenos políticos recentes e o crescimento de uma bancada religiosa no Congresso. A mistura entre religião e poder se torna uma ferramenta para influenciar decisões e justificar projetos políticos.
*Pontos importantes destacados por Petra Costa:*
–
*Busca por respostas:* Em momentos de crise, as pessoas procuram respostas e um sentido para o que está acontecendo. –
*Visão de “nós contra eles”:* A ideia de um inimigo a ser combatido é central nesse tipo de teologia. –
*Impacto na democracia:* A crença de que um grupo é escolhido por Deus para governar pode ameaçar a convivência com quem pensa diferente, pilar da democracia.
Qual a solução? O diálogo.
Para a diretora, a saída para não “explodirmos” como sociedade está em valorizar a convivência com as diferenças. Seja por um viés religioso ou democrático, o grande desafio da humanidade é aprender a conviver com quem é diferente. Em vez de focar no fim, a aposta é na capacidade de diálogo e na construção de um futuro em conjunto.
Fonte original
Agência Pública – apublica.org/2025/08/teologias-apocalipticas-ganham-forca-em-momentos-de-crise-diz-petra-costa/
Você já reparou que em momentos de grande instabilidade, como crises políticas, pandemias ou desastres ambientais, discursos sobre o “fim do mundo” parecem se multiplicar? A cineasta Petra Costa, em entrevista sobre seu novo documentário “Apocalipse nos Trópicos”, explica que isso não é coincidência.
Essas ideias, conhecidas como “teologias apocalípticas”, encontram um terreno fértil no medo e na incerteza. Elas oferecem uma explicação simples para problemas complexos: o mundo como o conhecemos está acabando para dar lugar a algo novo, uma espécie de “revelação”.
A origem da “Teologia do Desespero”
Segundo Petra Costa, a interpretação literal do livro do Apocalipse, que divide o fim dos tempos em fases, não é tão antiga quanto parece. Ela surgiu com um pastor que, infeliz com o Iluminismo (movimento que valorizava a razão e a ciência), propôs uma nova leitura da Bíblia.
Essa visão, muitas vezes chamada de “teologia do desespero”, ganhou força e hoje influencia a forma como muitas pessoas veem o mundo. A ideia principal é que, para um novo mundo surgir, é preciso eliminar o “inimigo”, o que abre espaço para a intolerância.
Como isso afeta a política no Brasil?
No Brasil, essas ideias têm um impacto direto na política. A cineasta conta que teve um “clique” sobre o tema durante a pandemia de Covid-19, ao ver líderes religiosos tratando a crise sanitária como um sinal da volta de Jesus.
Essa mentalidade, segundo ela, ajuda a explicar fenômenos políticos recentes e o crescimento de uma bancada religiosa no Congresso. A mistura entre religião e poder se torna uma ferramenta para influenciar decisões e justificar projetos políticos.
*Pontos importantes destacados por Petra Costa:*
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*Busca por respostas:* Em momentos de crise, as pessoas procuram respostas e um sentido para o que está acontecendo. –
*Visão de “nós contra eles”:* A ideia de um inimigo a ser combatido é central nesse tipo de teologia. –
*Impacto na democracia:* A crença de que um grupo é escolhido por Deus para governar pode ameaçar a convivência com quem pensa diferente, pilar da democracia.
Qual a solução? O diálogo.
Para a diretora, a saída para não “explodirmos” como sociedade está em valorizar a convivência com as diferenças. Seja por um viés religioso ou democrático, o grande desafio da humanidade é aprender a conviver com quem é diferente. Em vez de focar no fim, a aposta é na capacidade de diálogo e na construção de um futuro em conjunto.
Fonte original
Agência Pública – apublica.org/2025/08/teologias-apocalipticas-ganham-forca-em-momentos-de-crise-diz-petra-costa/








































